Lula é aplaudido por empresários em diálogo franco e aberto

O jantar que reuniu Lula da Silva (PT) e empresários - Foto: Reprodução

O jantar que reuniu o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e empresários na 2ª feira (20.jun.2022) começou com uma certa desconfiança nas perguntas do grupo convidado. Isso era percebido no tom dos primeiros questionamentos. No final, o petista recebeu aplausos de todos que estavam à mesa.

Não há como saber se todos os empresários aplaudiram com entusiasmo nem se vão de fato votar em Lula na eleição de 2 de outubro. A manifestação dos presentes foi um misto de atitude protocolar e agradecimento pelo encontro com o ex-presidente, que foi em tom franco e aberto.

Lula respondeu a perguntas sobre como conduzirá a economia e como será o relacionamento com o Congresso em seu eventual novo governo. Em resumo, ele afirmou que pode ter algumas divergências com o empresariado, mas que essas diferenças são sanáveis por meio de negociação.

Para dirimir desconfianças, o petista defendeu seu período à frente do Palácio do Planalto, de 2003 a 2011.

Segundo o Poder360 apurou com alguns dos empresários, Lula disse que é preciso confiar mais no governo que ele fez do que no que se fala sobre o que ele poderá fazer. “Vocês me conhecem”, disse o pré-candidato do PT ao Planalto.

O encontro foi em São Paulo e teve 9 empresários convidados. O anfitrião foi Cláudio Haddad, fundador do Insper (Instituto de Ensino e Pesquisa).

Participaram também:

Beto Sicupira – sócio da AB Inbev, dona da Ambev;

Fábio Barbosa – presidente da Natura;

Frederico Trajano – CEO do Magalu;

Horácio Lafer Piva – integrante do Conselho de Administração do grupo Klabin;

Pedro Moreira Salles – presidente do Conselho de Administração do Itaú Unibanco;

Pedro Passos – cofundador da Natura;

Sérgio Rial – CEO do Santander;

Teresa Vendramini – presidente da Sociedade Rural Brasileira.

Acompanharam Lula o ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin (PSB), pré-candidato a vice em sua chapa, e o pré-candidato ao governo do Estado Fernando Haddad (PT).

O ex-presidente vem sendo cobrado para aumentar a interlocução direta com representantes relevantes do PIB brasileiro. Até recentemente, essa relação era feita principalmente por emissários como a presidente do PT, Gleisi Hoffmann, o deputado Alexandre Padilha (PT-SP) e o senador Jaques Wagner (PT-BA).

Operadores do mercado estão sendo levados a conversar com Lula por causa da liderança do ex-presidente nas pesquisas intenção de voto.

Nos últimos 6 levantamentos divulgados por diferentes empresas, 5 mostram chance de vitória do petista no 1º turno.

RELAÇÃO DISTENSIONADA

Logo no início da reunião, alguns empresários perguntaram a Lula, com um certo tom de desconfiança, sobre responsabilidade fiscal.

O petista tem prometido revogar o teto de gastos e substituir o sistema por uma nova regra. Quer também alterar a política cambial e mudar normas previdenciárias e trabalhistas. Essas propostas têm sido recebidas de maneira reticente por empresários.

Segundo relatos feitos ao Poder360, Lula respondeu ficar “chateado com essas colocações” que colocam em dúvida seu compromisso com responsabilidade fiscal. Em seguida, no jantar de 2ª feira, afirmou que os empresários sabem como foram seus 2 governos e que ele não foi irresponsável do ponto de vista fiscal. “Eu não sou primário”, disse o ex-presidente, segundo relatos dos presentes ao encontro.

Os empresários também questionaram Lula sobre a independência que o Congresso ganhou frente ao Executivo na gestão de Jair Bolsonaro (PL). Perguntaram como o petista pretende aprovar propostas nesse cenário em que o presidente da República se tornou muito dependente do Legislativo, mas o Planalto não tem mais instrumentos de convencimento, como distribuição de verbas do Orçamento.

Alckmin tomou a palavra e respondeu, primeiro, que ambos, ele e Lula, são experientes. Em seguida, afirmou que o Legislativo tende a ser governista no início de uma nova gestão presidencial.

O ex-governador citou como exemplo o sequestro da poupança feito por Fernando Collor, no início de seu governo como presidente em 1990. À época, o Congresso aprovou a medida –mesmo num cenário em que Collor era filiado a um partido nanico, o PRN (já extinto), e com poucos deputados e senadores em sua base oficial de apoio.

Segundo Alckmin, deputados e senadores deverão ter sensibilidade e não irão se opor, no início, às medidas que Lula promete adotar em um eventual novo governo.

Em relação a alteração das regras trabalhistas, Lula tem dito em discursos públicos que irá negociar todas as mudanças com empresários, trabalhadores e o Congresso.

No jantar que terminou em aplausos, a versão final das diretrizes do programa de Lula ainda não havia sido divulgada. O ex-presidente indicou aos comensais que a nova edição do documento seria menos à esquerda que a 1ª, como de fato aconteceu.

Fonte: Poder 360

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