
A Prefeitura de Manaus, recolheu mais de 35 toneladas de resíduos durante os desfiles das escolas de samba no centro de convenções Professor Gilberto Mestrinho, o sambódromo, na zona Centro-Oeste da capital.
Neste domingo, 15/2, quando as apresentações avançaram pela manhã, a força-tarefa só concluiu o trabalho de limpeza depois do meio-dia, após horas ininterruptas de atuação na avenida e nas vias adjacentes.
Mais de cem garis participaram da operação especial de Carnaval, garantindo não apenas a organização da festa, mas também a mitigação dos impactos ambientais provocados por um dos maiores eventos populares da capital. O trabalho começou ainda antes do mês de fevereiro, com planejamento logístico voltado à gestão sustentável dos resíduos gerados durante o período carnavalesco.
Desde a quinta-feira (12), o efetivo foi concentrado no sambódromo, onde ocorreram os desfiles. Durante toda a programação, as equipes atuaram com apoio de carros coletores, baús e caçambas, em uma operação estruturada para evitar acúmulo de lixo e reduzir danos ambientais.
Ao término de cada apresentação, enquanto o público ainda deixava as arquibancadas, os trabalhadores entravam imediatamente na passarela do samba. Uma equipe realizava a varrição e lavagem da avenida, enquanto outra fazia a triagem inicial dos resíduos recicláveis, separando garrafas PET, latas, papelão e outros materiais reaproveitáveis.

Economia circular em prática
A atuação da Semulsp foi além da limpeza imediata. Parte significativa do material reciclável recolhido foi destinada a cooperativas parceiras, fortalecendo a cadeia da reciclagem e garantindo que resíduos retornem ao ciclo produtivo em vez de seguirem para o aterro.
A estratégia integra a política municipal de economia circular, que busca reduzir a pressão sobre o meio ambiente, ampliar a recuperação de materiais e gerar renda para trabalhadores da reciclagem.
Durante o evento, equipes também orientaram ambulantes e trabalhadores informais sobre o descarte adequado dos resíduos. A ação educativa reforçou o conceito de responsabilidade compartilhada em grandes eventos públicos.
O secretário municipal de Limpeza Urbana, Sabá Reis, destacou que a gestão ambiental é parte central do planejamento da festa.
“Carnaval é cultura, tradição e alegria, mas também é responsabilidade ambiental. Não basta recolher o lixo. É preciso garantir destinação correta, fortalecer a reciclagem e reduzir o impacto ambiental. Estruturamos uma operação que alia organização e sustentabilidade”, afirmou.
Segundo ele, o volume recolhido demonstra a importância do planejamento. “São mais de 35 toneladas de resíduos que tiveram manejo adequado. Isso significa menos descarte irregular, menos impacto ambiental e mais cuidado com a cidade”, ressaltou.

Reconhecimento
O esforço das equipes foi percebido por quem acompanhou os desfiles. A técnica de enfermagem Ana Clara Souza, 34 anos, torcedora da Reino Unido da Liberdade, destacou a agilidade da limpeza. “Terminava uma escola e, pouco tempo depois, já estava tudo organizado de novo. A gente percebe que existe planejamento”, mencionou.
Entre os trabalhadores, a gari Maria das Dores Silva, 46 anos, há 12 anos na limpeza urbana de Manaus, resume o espírito da equipe. “Todo ano a gente se prepara. Customiza a farda, coloca um adereço, e uma maquiagem leve. É nossa forma de também participar da brincadeira, mesmo trabalhando. Mas o principal é deixar tudo limpo. A gente sabe que está ajudando a cuidar da cidade e do meio ambiente”, disse.
Ela destacou que o “Domingo Gordo” exigiu ainda mais dedicação. “Já estava claro, mas ninguém saiu antes de terminar. A gente só vai embora quando está tudo organizado”, assegurou.
Eficiência e sustentabilidade
O subsecretário Laurimar Costa, responsável pela coordenação da operação, destacou que o esquema foi planejado para garantir eficiência e sustentabilidade.
“Trabalhamos com equipes sincronizadas, revezamento e logística estruturada. Enquanto uma equipe fazia a varrição, outra realizava a separação dos recicláveis. Mesmo com o desfile terminando pela manhã, permanecemos até depois do meio-dia para assegurar que todo o resíduo tivesse destinação adequada”, concluiu.




