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Mais de 500 balsas são flagradas no rio Madeira

Foto: Recorte

Durante um sobrevoo no rio Madeira, equipes do Greenpeace flagraram 542 balsas de garimpo ilegal operando intensamente. As embarcações foram vistas em 22 pontos entre Calama, em Rondonia, e Novo Apuranã no Amazonas.

As imagens aéreas foram feitas no último dia 19 e flagraram alguns “paredões” de balsas, que dragam o fundo do rio em busca de ouro, a maioria delas próximas a áreas protegidas, como a Reserva Extrativista Lago do Cuniã, Terra Indígena Lago Jauari e Reserva de Desenvolvimento Sustentável do Rio Madeira. Todas as balsas identificadas são consideradas ilegais, uma vez que as licenças anteriormente emitidas foram suspensas por decisão judicial.


A ação faz parte de um trabalho de validação dos alertas gerados por uma nova atualização do Papa Alpha, sistema de monitoramento desenvolvido pelo Greenpeace Brasil. Utilizando imagens de radar do satélite Sentinel-1, da Agência Espacial Europeia, o sistema é capaz de identificar estruturas metálicas de balsas, mesmo sob densa cobertura de nuvens, e gerar alertas quase em tempo real sobre atividades suspeitas de garimpo na região amazônica. Os alertas gerados por satélite foram confirmados visualmente por sobrevoo na região.

“Estamos falando de uma atividade criminosa que não apenas devasta o meio ambiente, mas também deteriora a qualidade da água e contamina os peixes da região, impactando diretamente as comunidades, rurais e urbanas, que dependem desses recursos. Com o uso da nova tecnologia, essas estruturas não conseguem mais se esconder. Sabemos onde estão, quando chegam e como se movem”, afirma o porta-voz da Frente de Povos Indígenas do Greenpeace Brasil, Grégor Daflon.

O Greenpeace Brasil planeja agora expandir o monitoramento para outros rios, como o Rio Tapajós e o Rio Teles Pires, que também são gravemente afetados pelas balsas garimpeiras. O avanço do garimpo não é apenas uma ameaça ambiental, mas uma crise humanitária.

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