Manaus amplia público para a vacina contra o HPV e alerta para baixa cobertura

Foto: Divulgação / Semsa

A Prefeitura de Manaus ampliou a oferta da vacina contra o HPV (Papilomavírus humano) para o público masculino de 9 aos 14 anos de idade, igualando-o à faixa-etária do público feminino. A Secretaria Municipal de Saúde (Semsa) explica que o imunizante é disponibilizado diariamente em 171 unidades básicas, mas a cobertura vacinal atual é de apenas 19%.

A secretária municipal de Saúde, Shádia Fraxe, informa que a recomendação do Ministério da Saúde para aumentar o público masculino abrangido, que até então era de a partir de 11 anos de idade, foi emitida em Nota Técnica, no dia 30 de agosto.

Considerando o público estimado de 269.117 jovens, na faixa etária anterior, Manaus registra cobertura vacinal de apenas 19% (51.153 doses aplicadas), de janeiro a julho deste ano. O levantamento é do Sistema de Informação do Programa Nacional de Imunização (SN-PNI).

Somente em relação ao público feminino, estimado em 133.665 meninas, a cobertura chega a 22%. Porém, entre os usuários o sexo masculino, população estimada em 134.452 meninos, a cobertura é ainda menor, de 16%.

“Por serem menores de idade, esses jovens precisam estar acompanhados dos pais ou responsáveis para receber a vacina nas nossas UBSs, administrada em duas doses, ou seja, precisa voltar na data indicada para completar o ciclo vacinal. É de extrema importância que a população aumente a procura por essa vacina, pois o vírus do HPV tem potencial para desenvolver diversos cânceres, como o câncer de colo de útero e câncer peniano”, diz Shádia.

IST

A infecção pelo HPV é uma Infecção Sexualmente Transmissível (IST), mas a vacina só tem uma proteção eficaz se for recebida por usuários que não iniciaram a prática sexual, conforme orienta a diretora de Vigilância Epidemiológica, Ambiental, Zoonoses e da Saúde do Trabalhador da Semsa, enfermeira Marinélia Ferreira.

“Infelizmente muitos pais ainda acreditam que ao proteger seus filhos contra o HPV vão acabar incentivando a atividade sexual, mas essa correlação não existe, pelo contrário, você está protegendo seu filho e sua filha. A imunização deve ser feita na adolescência, porque é o momento em que ainda não existe a prática sexual”, ressaltou.

Marinélia acrescenta que no caso dos adultos, por exemplo, a vacinação não é indicada, porque como eles já têm uma vida sexual ativa, provavelmente já devem ter tido contato com o vírus.

“Tanto os meninos quanto as meninas precisam se proteger contra o vírus HPV. Ele é conhecido por ter o potencial de causar o câncer de colo de útero, mas também pode causar o desenvolvimento do câncer retal e câncer peniano, que afeta os meninos. A vacina é o instrumento mais seguro para prevenir esses problemas”, afirma.

Rotina

A enfermeira lembra que a vacina contra o HPV, a trivalente, começou a ser ofertada em Manaus em 2013, um ano antes de ser integrada ao PNI, do Ministério da Saúde. Na época, por se tratar de um imunizante novo, houve uma grande mobilização que levou a vacina para as escolas, para chegar até o público de 9 a 14 anos, e ações pontuais também fortalecem a oferta da vacina em outros pontos da comunidade.

“Como Manaus é uma grande metrópole, ficou inviável fazer esse tipo de vacinação de forma rotineira, até porque ela não é dose única, como a da Influenza, por exemplo, mas precisa de duas doses. Para esse serviço, nós temos quase 200 unidades básicas com salas de vacina espalhadas por toda a cidade, à disposição da população em horários estratégicos”, informa.

A lista com os endereços e horários de funcionamento das unidades pode ser conferida no site da Semsa (semsa.manaus.am.gov.br) ou diretamente no link bit.ly/salasdevacinamanaus. É preciso levar documento oficial de identificação e cartão de vacina, mas caso não tenha o cartão, o responsável pode resgatar as doses administradas na unidade de saúde onde realizava o acompanhamento.

“É importante que os pais entendam que a vacina é um direito da criança, conforme o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), e é dever da família levá-la para vacinar, pela corresponsabilidade com a saúde do seu filho”, ressalta Marinélia.

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