
Técnicas ajudam a promover relaxamento e bem-estar e podem aliviar manifestações físicas associadas à ansiedade, como tensão muscular e inquietação
Os transtornos mentais continuam a ser um desafio de saúde global, alcançando mais de 1 bilhão de pessoas, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). Ansiedade e depressão são as condições mais prevalentes e, infelizmente, menos de 10% dos afetados em países de baixa renda recebem atendimento.
Tanto a depressão quanto a ansiedade são condições tratáveis com terapia e, em alguns casos, medicamentos, mediante indicação profissional. Como complemento, a massoterapia surge como uma alternativa que vem ganhando espaço. A técnica utiliza manobras com as mãos, antebraços ou instrumentos para aliviar dores musculares, reduzir o estresse, melhorar a circulação e promover o bem-estar físico e mental.
A professora do curso técnico de massoterapia do Centro de Ensino Técnico (Centec), Patricia Tavares, afirma que as técnicas de massagem podem favorecer o relaxamento físico e mental, reduzir a tensão muscular, melhorar a percepção corporal e contribuir para a redução do estresse.
“Durante a massagem, o toque terapêutico e o ambiente de relaxamento podem proporcionar sensação de acolhimento e bem-estar. Além disso, a massoterapia pode contribuir para melhorar a qualidade do sono e diminuir sintomas físicos frequentemente associados à ansiedade, como tensão muscular, dores e inquietação”, explica.
A docente reforça, no entanto, que a prática tem limites claros. “É importante ressaltar que a massoterapia não substitui o tratamento médico, psicológico ou psiquiátrico. Ela deve ser utilizada como parte de uma abordagem integrativa e individualizada”.
Técnicas variam
Entre as técnicas aplicadas com foco no relaxamento e bem-estar estão a massagem relaxante, o shiatsu e a reflexologia. A massagem relaxante utiliza movimentos suaves e ritmados, favorecendo o relaxamento muscular e a redução da tensão. O shiatsu trabalha pressões em pontos específicos do corpo e pode favorecer a percepção corporal. Já a reflexologia estimula áreas específicas dos pés ou das mãos como recurso complementar de bem-estar.
“A escolha da técnica deve considerar o estado físico e emocional da pessoa, seu nível de ansiedade, presença de dor, sensibilidade ao toque e preferência individual. Não existe uma única técnica indicada para todas as pessoas”, diz Patrícia Tavares.
A professora explica que observar as respostas do próprio corpo também é importante. A intensidade das manobras, a sensibilidade individual e o conforto durante a sessão precisam ser considerados pelo profissional e pelo paciente.
“Algumas pessoas podem apresentar hipersensibilidade, desconforto ou até aumento da ansiedade durante o atendimento”, afirma.
Atenção aos limites
Por isso, segundo Patrícia, comunicação clara, consentimento e respeito aos limites individuais são fundamentais, e a técnica deve ser interrompida caso haja desconforto. Quem já está em tratamento para ansiedade ou depressão também deve conversar com o profissional de saúde que acompanha o caso sobre a inclusão de práticas complementares.
A atenção deve ser redobrada diante de manifestações mais graves. Em casos de depressão grave, crise intensa de ansiedade, ideação suicida ou outras situações de risco, é fundamental buscar atendimento especializado, e a massoterapia não deve ser utilizada como substituta dos cuidados em saúde mental.
Para quem pretende recorrer à técnica, a orientação é procurar um profissional qualificado, informar previamente as condições de saúde e comunicar qualquer desconforto durante a sessão. Esses cuidados ajudam a tornar a experiência mais segura e adequada às características de cada pessoa.
“De forma geral, a massoterapia pode ser uma importante ferramenta complementar de promoção do relaxamento, bem-estar e qualidade de vida, desde que realizada com segurança, ética, consentimento e dentro dos limites de atuação profissional”, conclui Patrícia Tavares.




