TCEAM
Início Amazonas Pirarucu de manejo sustentável ganha espaço na merenda escolar do Amazonas

Pirarucu de manejo sustentável ganha espaço na merenda escolar do Amazonas

Créditos: Rodrigo Azevedo e Fransisca Lima/Reprodução

A cadeia do pirarucu tem transformado a realidade de comunidades tradicionais no interior do Amazonas. Resultado do manejo sustentável realizado por pescadores locais e comercializado pela marca coletiva Gosto da Amazônia, o pescado alia conservação da espécie, segurança alimentar, geração de renda e valorização da gastronomia regional, e já integra, desde 2017, a alimentação escolar da rede municipal de Manaus (AM).

O manejo é feito por pescadores locais em 13 regiões do Amazonas. O processo envolve vigilância dos ambientes aquáticos, reuniões de planejamento e avaliação e contagem dos peixes nos lagos, além do cumprimento dos requisitos do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), órgão responsável por autorizar a pesca e indicar a quantidade de peixes que pode ser retirada por região, a chamada “cota de pesca”.


Entre essas regiões está o Médio Juruá, onde a Associação dos Produtores Rurais de Carauari (ASPROC), parceira da marca, trabalha para aproximar a produção manejada de diferentes mercados e ampliar as oportunidades de comercialização.

Um dos principais mercados atendidos pela marca é a Secretaria Municipal de Educação de Manaus (Semed). Há nove anos, a ASPROC participa de chamadas públicas por meio do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE).

Para atender à Semed, o pirarucu é comercializado em formato de filé, sem espinhas e em pedaços que variam de 1 a 1,5 kg. Isso facilita o preparo em grande quantidade, reduz desperdícios e proporciona maior segurança durante o consumo.

“É importante destacar a importância da agricultura familiar na merenda escolar da rede municipal de Manaus. Ao adquirir alimentos de produtores locais, o município fortalece a economia regional, gera renda para as famílias do campo e garante alimentos mais frescos, nutritivos e de qualidade para os estudantes”, destaca Joseline de Almeida Araújo, nutricionista da Semed.

“Além de ser um peixe característico da Amazônia, rico em proteínas e nutrientes essenciais, sua apresentação sem espinhas oferece mais segurança para as crianças, reduzindo o risco de acidentes durante as refeições. Também proporciona mais praticidade para as equipes responsáveis pelo preparo da merenda, agilizando o processamento dos alimentos, diminuindo desperdícios e garantindo maior eficiência na produção das refeições”, complementa.

A versatilidade do pescado também ganhou reconhecimento nacional. A receita “steak de pirarucu com banana-pacovã”, preparada no Centro Municipal de Educação Infantil (CMEI) Manuel Bandeira, foi a vencedora estadual no 3º Concurso Melhores Receitas da Alimentação Escolar, promovido pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), do Ministério da Educação (MEC). A iniciativa reconheceu, a partir de votação popular, as melhores receitas de escolas públicas que acessam recursos do PNAE.

Expansão para novos mercados

A ASPROC também tem experiência com outros órgãos públicos. A primeira foi em 2014, quando a Secretaria de Educação do Estado do Amazonas (Seduc) lançou um edital com a espécie no âmbito do PNAE. Logo no ano seguinte, a iniciativa foi seguida pelo Exército Brasileiro. Atualmente, ambas as instituições são atendidas pela marca.

Outro fator marcante é o crescimento da produção manejada ao longo das temporadas, sobretudo no Médio Juruá. Em 2011, foram pescados 140 pirarucus em quatro ambientes aquáticos na região onde a ASPROC está sediada.

Já para este ano, a previsão é de que sejam pescados 7.700 peixes, cerca de 380 toneladas, em aproximadamente 170 áreas de pesca. Isso representa um aumento de mais de 1.800% na cota autorizada para pesca em cerca de 15 anos.

Embora fatores como distâncias geográficas, falta de estrutura e desafios de processamento, venda e distribuição estejam entre os principais gargalos, o crescimento da produção aumenta o potencial da marca para atender novos mercados institucionais.

A coordenadora de Comercialização da ASPROC, Ana Brito, analisa que compras institucionais por meio de políticas públicas, como PNAE e o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), são uma oportunidade para fortalecer a comercialização da agricultura familiar amazônica.

“O pirarucu chegou no prato dos nossos alunos pra ficar. Com a demanda gerada por este mercado e o aumento da produção, se cria uma relação justa e equilibrada entre demanda e oferta. Com o controle da pesca, os volumes de pescado crescem a cada ano e com potencial pra atender todos os estados brasileiros que recebem recurso do PNAE e do PAA para compras públicas. O consumo do pirarucu manejado apoia as cadeias produtivas da Amazônia brasileira e a sociobiodiversidade”, afirma.

Artigo anteriorCineBH celebra 20 edições com programação gratuita em Belo Horizonte
Próximo artigoPescador morre afogado ao tentar recuperar chapéu após canoa naufragar

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Correio da Amazônia
Visão Geral de Privacidade

Este site usa cookies para que possamos oferecer a melhor experiência de usuário possível. As informações de cookies são armazenadas em seu navegador e executam funções como reconhecê-lo quando você retorna ao nosso site e ajudar nossa equipe a entender quais seções do site você considera mais interessantes e úteis.