‘Monstros do ódio’, reage El País sobre manifestações dos bolsonaristas nas redes sociais


“A morte do neto de Lula desata os monstros do ódio” é o título de uma coluna publicada neste sábado (2) pelo jornal espanhol El País. Assinado pelo jornalista Juan Arias, o texto destaca a reação de internatutas nas redes sociais que atribuíram o falecimento de Arthur, de 7 anos, a “um castigo de Deus”.

“Sabíamos que no Brasil, majoritariamente solidário, sensível à dor alheia e que ama as crianças, existiam monstros de ódio. Confesso, no entanto, que ignorava que eram tantos e com tanta carga de sadismo. É isso que mostram os comentários sórdidos e até blasfêmias que invocam Deus como o motivo da morte de Arthur, de sete anos, o inocente neto de Lula”, publica El País.

Para o colunista espanhol, é injustificável transformar a morte do menino e a dor de um avô com a perda do neto em “brincadeiras bobas, ironia e sarcasmo”.

O jornalista destaca que Arthur, aos 7 anos, não teve tempo de de conhecer “os abismos da cegueira aos quais podem chegar a ideologia política”. Além disso, reitera, “Lula, mesmo condenado e na prisão, não perdeu sua dignidade como pessoa, nem o pedaço de história positiva que deixou escrita no país”.

Filho de Bolsonaro, Eduardo Bolsonaro (01) classifica liberação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, para ir a velório como absurda, dizendo que saída o deixa “em voga, posando de coitado”. Postagem no Twitter gera críticas até de apoiadores dos fanáticos pelo bolsonarismo.

Eduardo Bolsonaro desdenhando da morte de um ente querido – foto: recorte perfil

O jornalista também afirma que a falta de empatia e de decoro contagiou os políticos do Brasil. Arias cita como exemplo o filho do presidente Jair Bolsonaro, o deputado federal Eduardo Bolsonaro. No Twitter, ele escreveu que Lula “é preso comum e deveria estar em um presídio comum” e que a ida do ex-presidente ao funeral do neto “só deixa o larápio em voga posando de coitado”.

“Nenhuma palavra de piedade ou, ao menos, de respeito por seu inimigo político”, afirma El País. O colunista compara a falta de respeito à inocência da infância aos campos de concentração nazistas, onde crianças eram queimadas vivas porque não serviam para trabalhar.

“Alguém escreveu que, depois dos campos de concentração do nazismo, não era possível continuar acreditando em Deus. E após esse ódio e insultos sujos lançados contra Lula por ter perdido o neto, é possível continuar acreditando no Brasil?”, questiona.

O quarteto, que mantem milicianos como amigos domésticos, incentivam o ódio e o sarcasmo nas redes sociais – foto: divulgação

O jornalista encerra a coluna pedindo desculpas a Lula “em nome desses milhões de brasileiros que ainda não se venderam ao ódio fácil e sabem manter sua dignidade diante da morte de um menino”.

Mídia europeia repercute morte de Arthur

Diversos sites de notícias da Europa noticiam a permissão que a Justiça brasileira concedeu a Lula para se despedir do neto neste sábado. O ex-presidente “pôde deixar a sede da polícia federal de Curitiba para ir ao funeral em São Paulo”, escreve a BFM TV. A matéria do canal francês ressalta que Arthur, vítima de uma meningite e que morreu na sexta-feira (1°), visitou o avô duas vezes na prisão.

O site do jornal Le Figaro lembra que apesar da lei brasileira permitir que detentos deixem a prisão sob escolta policial em caso de morte ou doença grave na família, Lula viu ser recusado o pedido de participar do funeral do irmão, Vavá, falecido devido a um câncer, aos 79 anos, em janeiro.

Lula sendo saudado, mesmo com o aparato de guerra montado para impedir a aproximação de populares – foto: El Pais

Quando o petista obteve a autorização da Suprema Corte, “já era tarde demais: o enterro já havia começado”, reitera a matéria.

O britânico Daily Mail publica várias fotos de Lula ao lado de Arthur e afirma que as redes sociais brasileiras foram movimentadas com mensagens de apoio ao líder petista, “até mesmo adversários”. Com exceção de Eduardo Bolsonaro, ressalta o jornal, que escreveu no Twitter que Lula não deveria ser autorizado a ir ao funeral. “O ex-presidente do Brasil não respondeu ao comentário”, conclui o Daily Mail.

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