Não estou fazendo nada, e agora? – por Maria Ritah

Ultramaratonista Maria Ritah - foto: divulgação

Em meio ao caos informativos de como está o mundo hoje no evento Covid-19, nas regras sociais de não se abrace, não se beije, não se pegue, mantenha a distância e fique em casa, um sentimento me assombrou este período, a culpa!

Não, não e não! Eu não causei o vírus e muito menos espalhei o bendito. Por mais louco que seja, a culpa vem do não fazer nada. Para quem não me conhece, minha vida é pautada pelo movimento.

Eu amo correr, nadar e pedalar. Sou espírito livre, gosto das ruas, do mato, da água.

Ultramaratonista Maria Ritah – foto: divulgação

A profissão que eu escolhi para ganhar dinheiro sem ter que me limitar a “bater cartão” foi como vendedora. Autônoma, trabalho como corretora de imóveis, nas ruas mostrando terrenos, casa, apartamento e ajudando as pessoas. Também estou me reinventando, promovendo workshops terapêuticos e concluindo a formação Constelação Familiar, pelo Instituto Imensa Vida, de Belo Horizonte.

Para mim, ficar parada – quarentena- vai contra tudo que aprendi para ter saúde e trabalhar, por isso ficar em casa me trouxe sentimento de culpa. Parece que eu não estou rendendo, não estou produzindo, então como vou sustentar minha família? Não é louco isso?

Maria Ritah e a sua obsessão pela liberdade – foto: divulgação

Conta bancária

Lembrei agora, da citação do escritor Willian Byron: “Se você é o que faz, quando não faz, você não é.” Penso que a nossa sociedade sempre mediu nosso valor pelo que fazemos, pelo que rendemos, trabalhamos, pelo quanto de dinheiro temos na conta bancária, pelas roupas, pelos carros. Essa coisa do “fazer” está enraizado neste mundo capital.

Refletindo sobre isso, O COVID-19 me convida hoje, eu e você, vamos dar permissão para simplesmente SER? Sem culpa, sem medo e crendo que um Poder Superior maior que qualquer virus, está no comando. Entao, só por hoje eu aceito, entrego e confio.

Gratidão!

*Maria Ritah é atleta ultramaratonista

3 COMENTÁRIOS

  1. Estamos juntas Maria Ritah. Que possamos cuidar das nossas mentes e quando tudo isso passar encontraremos novos formas para nós reinventarmos e continuarmos a nossa vida. Gratidão!

  2. Maria Rita, querida, sua angústia é genuína. Acolhe-la é um passo na dança frenética do COVID. Quanto ao convite do vírus, é igual aquela frase “a volta dos que não foram”. Então, é o convite do não fazer. O encontro do Ser será uma aventura. Aquela certeza de que natureza depende de nós se esvaece quando o sol continua brilhando, os bichos, as árvores, os mares estão livres, respirando, frutificando, limpando!
    Talvez, não sejamos mais os mesmos quando isso tudo passar. Foi preciso o ser humano parar sem a sua própria vontade para perceber a importância da família, da convivência, do respeito, do amor, da generosidade, da empatia. O discurso do eu sou livre, mudará de sentido, pois hoje, ficou ainda mais claro, que só eu posso, mas sozinha, eu não consigo!! Grande abraço minha amiga!

  3. boa noite!!que lindo!Maria! são tantos sentimentos quando refletimos sobre a vida e quem somos… e também hoje me permito simplismente SER…e estou a serviço da vida…eu aceito, entrego e confio….
    Gratidao!! Maria Ritah

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