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NOAA confirma retorno do El Niño e alerta para risco de seca na Amazônia e enchentes no Sul

Foto: Recorte

O fenômeno climático El Niño voltou a se manifestar no Oceano Pacífico e pode ganhar força nos próximos meses, segundo avaliação divulgada pela Administração Nacional para Oceanos e Atmosfera dos Estados Unidos (NOAA). As projeções indicam que há 60% de probabilidade de o evento atingir intensidade forte até o fim deste ano, elevando o risco de impactos significativos em diferentes regiões do planeta.

De acordo com especialistas, o El Niño ocorre quando as águas superficiais do Pacífico Equatorial apresentam aquecimento acima da média histórica por um período prolongado. Atualmente, a temperatura da região já registra um desvio de aproximadamente 0,7°C, caracterizando um episódio de baixa intensidade, mas com tendência de fortalecimento.


O analista de clima e meio ambiente Pedro Côrtes explica que, caso o aquecimento ultrapasse a marca de 2°C nos próximos meses, o fenômeno poderá ser classificado como forte. Segundo ele, os reflexos costumam ser sentidos de forma desigual no território brasileiro.

Historicamente, o El Niño favorece o aumento das chuvas na Região Sul, enquanto contribui para períodos de estiagem no Norte e Nordeste. No Centro-Oeste, a combinação de temperaturas elevadas e baixa umidade pode ampliar o risco de incêndios florestais.

Entre os exemplos recentes dos efeitos associados ao fenômeno estão as enchentes registradas no Rio Grande do Sul e a seca severa que atingiu a Amazônia, provocando redução drástica do nível dos rios, isolamento de comunidades e impactos à fauna da região.

Especialistas alertam ainda que o aquecimento global tem potencializado os efeitos dos eventos climáticos extremos. Mesmo em episódios de menor intensidade, as consequências podem ser mais severas devido ao aumento das temperaturas globais.

Apesar das previsões preocupantes, um fator pode contribuir para reduzir parte dos impactos no Brasil. Trata-se da Oscilação Decadal do Pacífico (PDO), que atualmente está em uma fase fria. Esse comportamento tende a amenizar os efeitos do El Niño sobre o território nacional, embora não elimine os riscos associados ao fenômeno.

Outro ponto de atenção está relacionado à vulnerabilidade da população. Dados do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) apontam que mais de 8,5 milhões de brasileiros vivem em áreas sujeitas a desastres como enchentes e deslizamentos de terra.

Diante desse cenário, especialistas recomendam que moradores de regiões de risco acompanhem os alertas emitidos pelos órgãos de monitoramento e mantenham contato com as Defesas Civis locais para obter orientações preventivas e informações sobre possíveis situações de emergência.

Fonte: CNN Brasil

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