
Evento do PL em Manaus expõe divisão entre voto presidencial e escolha para governador. Ato bolsonarista na Ponta Negra reúne milhares de apoiadores da oposição, mas relatos de eleitores indicam que a preferência pela direita na disputa nacional não vincula, automaticamente, o voto no candidato ao governo do Amazonas.
O bloquinho do Flávio (PL-RJ), realizado na noite de segunda-feira (19), na Ponta Negra, em Manaus, reuniu centenas de adoradores da extrema direita, mas evidenciou uma particularidade amazonense nestas eleições 2026, que mostra a preferência dos adoradores do bolsonarismo à Presidência mas, partidariamente, totalmente diferente para o candidato ao Governo do Estado.
Omar governador
Durante o evento, eleitores de perfil extremista de direita manifestaram apoio ao opositor do Presidente Lula, mas apontaram Omar Aziz (PSD) como sua opção para governador. Entre os fatores citados estão a preocupação com a segurança pública, a experiência administrativa e as propostas para ampliar o atendimento de saúde, especialmente no interior.
A separação entre os votos também aparece no campo político. Os deputados Fausto Júnior e Eurico Tavares, identificados com a direita, declararam apoio a Omar na disputa estadual, demonstrando que as alianças locais nem sempre reproduzem integralmente a polarização nacional.
O comerciante Jackson Almeida afirmou que, apesar de apoiar o candidato da extrema direita, pretende votar em Omar Aziz para governador, principalmente pela preocupação com a segurança pública, saúde, educação. Ele citou o programa Ronda nos Bairros, implantado durante a gestão anterior de Omar, como uma das referências de sua avaliação.
Já a empresária Maria Maia relatou que sua família mantém apoio político ao bolsonarismo na disputa presidencial, mas pretende escolher Omar para o governo estadual. Segundo ela, as propostas para a construção de novas maternidades pesaram na decisão.
Os relatos ilustram uma dinâmica importante da eleição amazonense: parte do eleitorado conserva suas preferências ideológicas na disputa nacional, mas avalia os candidatos estaduais por critérios próprios, relacionados à segurança, à saúde e à capacidade de gestão.
Na reta final da campanha, o evento da Ponta Negra mostrou a força da mobilização da direita, mas também evidenciou que a disputa pelo Governo do Amazonas tem uma lógica própria, e que o voto no bolsonarismo não está necessariamente vinculado a uma única candidatura estadual.




