‘O Estado cumpre o seu dever’. diz José Melo, ao entregar o Lar dos Hansenianos

Melo inaugura Lar dos hansenianos/Foto: Nathalie Brasil
Melo inaugura Lar dos hansenianos/Foto: Nathalie Brasil
Melo inaugura Lar dos hansenianos/Foto: Nathalie Brasil
José Melo corta a fita de inauguração/Foto;Nat halie Brasil
José Melo corta a fita de inauguração/Foto;Nat halie Brasil

Entregue ontem, quinta-feira (13), a última etapa do projeto habitacional destinado aos portadores de hanseníase no bairro Colônia Antônio Aleixo, na zona leste de Manaus. Com a conclusão do programa, o governador José Melo anunciou que vai implantar novos serviços na área de saúde, assistência social e geração de emprego e renda para atender a esse público.

Segundo ele, o Estado cumpre um dever histórico com os hansenianos com a doação das residências. A nova etapa pretende avançar nos serviços de saúde, em parceria com a Prefeitura de Manaus, para melhorar a qualidade do atendimento. A ideia é montar uma estrutura em posto médico para que os pacientes que fazem o acompanhamento regular da doença tenham acesso ao serviço no próprio bairro. A proposta inclui também oferecer acompanhamento médico domiciliar.

“O Estado hoje cumpre um dever. Com esse conjunto, concluímos o projeto que beneficiou os hansenianos. Agora vamos cuidar dos serviços. Em parceria com a prefeitura, quero implantar um novo sistema de saúde para dar mais facilidade, para que eles não tenham que se deslocar”, adiantou José Melo, ressaltando ainda o trabalho desempenhado pelo ex-governador Omar Aziz, que deu início ao projeto.

O governador afirmou que a primeira-dama do Estado, Edilene Gomes, ficará à frente de novos projetos sociais para os hansenianos. A primeira-dama participou da solenidade de entrega, que também contou com a presença do titular da Superintendência de Habitação do Amazonas (Suhab), Sidney de Paula, e do superintendente regional da Caixa, Carlos Bonin, e de outros secretários de Estado.

José Melo entregou em mãos para todos os moradores o documento de propriedade da casa. Os dois blocos habitacionais atendem a 16 famílias e possuem apartamentos mobiliados e adaptados às necessidades das vítimas da hanseníase.

Vida nova – Natural do município de Fonte Boa, a dona de casa Izabel Mendes, 53, era a expressão da felicidade mostrando os cômodos e os moveis do novo lar para o governador. Para ela, a residência é a oportunidade de começar vida nova após a mudança para Manaus e longo período morando de favor. “Essa casa significa tudo. Era o que eu mais pedia nas minhas orações. Eu quis morar aqui também porque em outros conjuntos eu não teria essa proteção. O preconceito ainda é grande”, disse, abraçada a Melo.

De acordo com a Suhab, com a entrega dos dois novos blocos do conjunto, está concluído o atendimento às pessoas cadastradas na secretaria que moravam no antigo pavilhão instalado no bairro e que abrigava os doentes. Na primeira fase do projeto, outras 72 famílias de hansenianos receberam apartamentos prontos para morar. O novo conjunto entregue por Melo contabiliza 16 apartamentos. Eles estão em dois pavilhões, cada um com oito apartamentos totalmente mobiliados.

Recursos – O investimento para a construção dos 16 apartamentos totaliza R$ 752.463,34, sendo R$ 366.666,66 financiados pela Caixa Econômica Federal e R$ 385.796.68 do Governo do Estado. Os apartamentos possuem 46 metros quadrados de área construída, com sala, quarto, cozinha, banheiro e área de serviço. O conjunto é composto, ainda, de sala para atendimento médico e um jardim arborizado.

As famílias recebem os novos apartamentos mobiliados pela Secretaria de Assistência Social (Seas). Cada imóvel é equipado com geladeira, fogão, cama, guarda-roupas, TV de 14”, sofás de dois lugares, bebedouro elétrico, jogo de mesa com quatro cadeiras, ventilador de parede, rack de sala, botijas de gás (com carga), além de condicionador de ar de 7.500 BTUs instalado.

Pavilhões – Os pavilhões receberam nomes de pessoas que contribuíram para o bairro Colônia Antonio Aleixo e para a vida das vítimas da hanseníase. A escolha foi feita pelos próprios moradores através de eleições realizadas em assembleias coordenadas pela Suhab. O primeiro pavilhão faz homenagem o enfermeiro João Edmilson Paes de Brito, profissional de saúde que trabalhou por mais de dez anos na comunidade, dedicando-se exclusivamente aos afetados pela doença. Ele ganhou a admiração dos pacientes pela forma carinhosa e amável com que cuidava das pessoas e por não demonstrar nenhum preconceito.

O segundo pavilhão faz uma homenagem ao marceneiro Antônio de Paula, morador do bairro que dedicava parte do seu dia para fabricar carrinhos de madeira utilizados até hoje por muitos portadores da hanseníase e com sequelas. Por muitos anos, o modelo de carro era o único utilizado na comunidade. Segundo os moradores que escolheram prestar a homenagem, o marceneiro devolveu, ao criar os carrinhos, a liberdade e o convívio com a comunidade.

Histórico da doença – A hanseníase é tida como uma das doenças mais antigas do mundo. Só no Brasil, dados do Ministério da Saúde apontam que cerca de 50 mil casos são registrados todos os anos. O preconceito sempre foi uma das principais dificuldades enfrentadas pelos doentes. No inicio do século passado, os relatos históricos apontam que os portadores desse mal eram tidos como pessoas ligadas ao pecado e à corrupção, à sujeira e à promiscuidade.

Juntando isso ao pouco conhecimento médico sobre a doença na época, o governo brasileiro instituiu a política de segregação dos portadores da doença do restante da população. Criaram-se então, a partir de 1920, as colônias de isolamento dos doentes.

Nesses locais, os pacientes recebiam tratamento e conviviam apenas entre eles. Com a descoberta que a doença tem cura e não é contagiosa, desde que o paciente esteja em tratamento, as colônias foram extintas. Porém, muitos locais remanescentes das colônias permanecem até hoje, como o bairro Colônia Antônio Aleixo, criado em 1942, e que abrigou pacientes isolados até a década de 1970/80. A primeira e única reforma nos pavilhões construídos na época ocorreu em 1970.

Sensibilizado com a situação com que viviam as pessoas vítimas da doença, o Governo do Estado criou uma política habitacional exclusiva para atender aos portadores de hanseníase que ainda vivem no local, devolvendo assim a dignidade a essa comunidade.

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