
Na política, nem toda filiação representa um reforço. Algumas adesões trazem mais dúvidas do que certezas. É exatamente esse debate que começou a circular nos bastidores após a chegada de Anderson Sousa ao PSD do senador Omar Aziz.
A filiação do presidente da Associação Amazonense de Municípios (AAM), Anderson Sousa, ao PSD do senador Omar Aziz, que disputa o Governo do Amazonas em 2026, provocou reações divergentes nos bastidores da política estadual. Embora o ato tenha sido apresentado como demonstração de força na pré-campanha de Omar, interlocutores ouvidos pela reportagem avaliam que o embarque do desgarrado do UB, está longe de representar consenso dentro do próprio grupo político.
A mudança chamou atenção porque ocorre poucos dias após Anderson Sousa participar de articulações ligadas ao grupo político do governador tampão, Roberto Cidade. O episódio foi interpretado por aliados do União Brasil como mais um sinal de instabilidade dentro da base governista.
O peso da AAM é da instituição, não do presidente
Por sua vez, a análise é que Anderson se projeta por comandar a Associação Amazonense de Municípios (AAM), e não por possuir uma base eleitoral própria capaz de alterar os rumos da disputa estadual. “Anderson Sousa muda de partido. Mas quantos prefeitos mudam com ele?”
“Nem toda adesão representa ganho político. Em alguns casos, o aliado que chega com um passivo político grande mas sem o capital que promete entregar.” Daí aliados questionarem se Anderson Sousa agrega votos ou desgaste à campanha de Omar Aziz.
O risco para Omar Aziz
A questão não é perder votos imediatamente, mas permitir que adversários explorem a narrativa de que o PSD está abrindo espaço para figuras vistas como excessivamente volúveis, descompromissadas politicamente.
No final das contas, a filiação de Anderson Sousa só terá valor eleitoral se ele conseguir provar que leva algo além do cargo que ocupa. Caso contrário, Omar Aziz pode descobrir que algumas alianças produzem mais manchetes do que votos.
A pergunta que fica: Anderson Sousa leva prefeitos para Omar Aziz ou leva para o PSD a desconfiança construída por suas frequentes mudanças de posição política? Ou seja, a filiação será lembrada, no futuro, como reforço estratégico para a campanha do senador e apenas mais uma movimentação sem impacto real sobre o tabuleiro eleitoral amazonense.
Benefício para David Almeida
Enquanto Omar Aziz comemora o reforço em sua base, alguns analistas avaliam que o principal beneficiado pelo atual cenário pode ser o ex-prefeito de Manaus, David Almeida (Avante).
Com a disputa entre grupos tradicionais se intensificando, David segue consolidado entre os principais nomes da corrida eleitoral e observa de fora o rearranjo das alianças no interior do Estado.
Na avaliação de interlocutores, cada movimento que gera desconforto ou divisão entre os aliados de Omar Aziz e do União Brasil abre espaço para que David Almeida amplie seu discurso de alternativa política para 2026.
Herança ou problema
A pergunta que fica por prefeitos, vereadores e lideranças municipais é simples: Da fidelidade ao União Brasil à filiação no PSD, Omar Aziz ganhou um aliado ou herdou um problema?
Da Redação




