
Os elogios e a comemoração de presidenciáveis brasileiros da direita ao bombardeio da Venezuela, realizado pelos EUA à revelia das Nações Unidas e do próprio Congresso Norte Americano, indicam que sua política externa, caso sejam eleitos em outubro de 2026, será mais que de alinhamento e de entrega das reservas nacionais a Donald Trump.
Os pré-candidatos da direita a presidentes do Brasil em 2026, que se eleitos, vão abraçar o America First e o Make America Great Again, e bater continência para a bandeira Norte Americana.
Ditador amigo de Trump
Nicolás Maduro é um ditador que fraudou eleições, tratava os adversários com punho de ferro, atropelava os direitos humanos e merecia ser retirado do poder pelos próprios venezuelanos.
Mas se isso bastasse para bombardear países estrangeiros sem autorização da comunidade internacional, a Arábia Saudita, berço de movimentos terroristas, seria uma das primeiras da fila. Seu príncipe herdeiro, acusado de assassinato de jornalista, contudo é tratado como amigo por Trump.
E o norte-americano deixou claro em sua coletiva que o combate às drogas ou a defesa da democracia são acessórios em comparação ao controle da maior reserva de petróleo do mundo que está sob a Venezuela.
Elogios de presidenciáveis
Um presidente da República do Brasil precisa seguir as leis internacionais, não elogiar quem as ignora. E defender os interesses dos brasileiros, independente de suas preferências ideológicas. E o risco de interferência sobre os interesses dos cidadãos da América do Sul disparou após a ação militar no vizinho. Troque PDVSA por Petrobras e imagine os EUA passando a controlar, pela força, a produção e venda de nossos recursos naturais.
Clã Bolsonaro
Era esperada a celebração por parte do clã Bolsonaro, até porque ele já havia deixado claro o seu lado. Conspirou sanções do governo dos Estados Unidos contra o Brasil para forçar o STF e o Congresso a liberarem Jair Bolsonaro, apesar da tentativa de golpe de Estado.
Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e Michelle Bolsonaro (PL), os dois presidenciáveis do clã, celebraram o ataque.
Os governadores Ratinho Júnior (PSD-PR), Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP), Romeu Zema (Novo-MG) e Ronaldo Caiado (União Brasil-GO) também comemoraram o bombardeio dos EUA à Venezuela.
Querem a ajuda de Trump nas eleições deste ano, pois sabem que ele pode interferir no pleito brasileiro. Mas também jogam para a torcida, tentando mostrar que são dignos dos votos dos órfãos de Jair.
Dessa forma, vão muito além do gesto de Tarcísio, que colocou um boné MAGA (Fazer a America Grande Novamente) quando Trump assumiu o governo em janeiro. E, depois, foi cobrado por isso pela opinião pública após o norte-americano impor sanções.
Tarcísio com o boné MAGA
Outro presidenciável que não é do campo de esquerda, o governador Eduardo Leite (PSD-RS) mostrou aos colegas que é possível criticar duas coisas ao mesmo tempo: bateu na ditadura de Maduro e afirmou que a violência de uma nação estrangeira é “igualmente inaceitável”. Ele está correto, mas ponderação não gera voto junto ao público bolsonarista-raiz.
O Brasil sempre evitou alinhamentos automáticos a governos estrangeiros, com exceção do governo Jair Bolsonaro. Sim, a continência que o ex-presidente prestou à bandeira norte-americana, em maio de 2019, não era folclore, mas prenúncio.
Bolsonaro temia que Trump saísse do poder e o democrata Joe Biden o substituísse, o que fragilizaria sua posição e reeleição. E, por conta disso, aceitou fazer o que fosse necessário. Inclusive entregar ao norte-americano o que estivesse ao seu alcance, passando por cima dos interesses dos brasileiros em torno de promessas de futuro.
Migalhas do pão
A gestão passada do Itamaraty abandonou uma tradição de mais de um século de uma diplomacia independente em nome de ‘migalhas de pão’ que podessem cair da mesa de um “amigo”. Amigo que se mostrou imaginário, claro.
Aliás, uma das máximas da diplomacia é que países não têm amigos, têm interesses. O interesse do governo Trump é claro. E os dos presidenciáveis brasileiros, não tão claros assim, ou são?
Diário do Centro do Mundo




