
Portas fechadas e abandono: Bilhões destinados à segurança somem e deixam delegacias do interior do AM em ruínas
Enquanto a Assembleia Legislativa do Amazonas (ALEAM), sob a presidência de Roberto Cidade (União Brasil), funcionava a pleno vapor para aprovar endividamento bilionário de mais de R$ 17 bilhões em empréstimos para o governo Wilson Lima (União Brasil), o cidadão do interior, as delegacias e os próprios policiais eram condenados ao total abandono.
O retrato mais caóticos dessa herança fiscal e administrativa está estampado nas fachadas das Delegacias Interativas de Polícia (DIPs), nos municípios do Amazonas.
Mesmo com cifras bilionárias anunciadas anualmente para os programas de segurança pública, a realidade das unidades policiais do interior do Amazonas escancara o descompasso entre a propaganda oficial e a vida real.
O raio-X do caos: Fiscalizações do MPAM apontam ambientes insalubres
Seguindo o histórico de fiscalizações realizadas pelo Ministério Público do Amazonas (MPAM) nas comarcas do interior, promotores de Justiça têm acumulado relatórios que parecem cópias de um mesmo cenário de terror administrativo.
Em diversas vistorias técnicas feitas pelo órgão ministerial em unidades policiais do estado, ficou constatado que agentes da segurança pública trabalham em ambientes completamente insalubres.
Os relatórios do MPAM já apontaram desde graves problemas estruturais, como tetos com risco de desabamento, infiltrações severas e fiação elétrica exposta, até celas superlotadas sem ventilação adequada e banheiros interditados.
Em várias dessas comarcas, os policiais enfrentam a falta de viaturas operacionais, escassez de armamento moderno e, por vezes, a ausência de insumos básicos para registrar ocorrências, precisando tirar do próprio bolso para garantir o funcionamento mínimo do serviço público.
Segurança Pública em horário comercial: DIPs fecham às 17h
Apesar dos recursos extraordinários aprovados pela canetada de Roberto Cidade, a estrutura de inteligência e atendimento não se modernizou. O maior símbolo dessa paralisia administrativa é o horário de funcionamento da segurança pública nas cidades do interior do Amazonas: as delegacias fecham as portas às 17h.
Após o horário comercial, nos fins de semana e nos feriados, o cidadão que é vítima de assalto, violência doméstica ou homicídio encontra as delegacias trancadas, operando em regime de sobreaviso precário ou centralizado em polos regionais distantes dezenas de quilômetros por via fluvial.
O crime organizado não escolhe hora para agir, mas a estrutura policial homologada pelo grupo governista foi reduzida ao expediente burocrático por falta de contingente e verba operacional.

Governador blindado
O silêncio do presidente da Aleam ao selo de “Pior Governador do Brasil”, não intimidou o chefe do Legislativo da época, que por mais de cinco anos, teve o dever constitucional de exigir relatórios detalhados de eficiência antes de autorizar novos empréstimos ou repasses para o governo estadual. Em vez disso, silenciou diante dos alertas emitidos pelas ações e recomendações do Ministério Público.
A conivência com a destruição da malha de segurança e o abandono dos policiais do interior foi um dos pilares que deram a Wilson Lima, o governador blindado por Roberto Cidade e hoje pré-candidato ao Senado — o histórico inédito de “pior governador do Brasil” em rejeição popular por dois anos consecutivos.
A insegurança e o descaso com as DIPs deixam claro o prejuízo social de uma gestão que endividou o estado sem entregar proteção a quem mais precisa.




