TCEAM
Início Brasil Reforma oficializa fraude e beneficia o mau empregador, diz procurador do MPT

Reforma oficializa fraude e beneficia o mau empregador, diz procurador do MPT

Procurador-geral do Trabalho, Ronaldo Fleury/Foto: Divulgação

247 – O procurador-geral do Trabalho, Ronaldo Fleury, criticou duramente o projeto de reforma trabalhista, sancionado sem vetos pelo presidente nesta semana. Segundo ele, a legislação aprovada institucionaliza fraudes praticadas contra os trabalhadores e beneficia os maus patrões. “Todas as propostas ali estão redigidas para beneficiar o mau empregador, sempre deixando margem para uma precarização das relações de trabalho”, disse Fleury ao jornal Folha de São Paulo.

Para Fleury, a melhor forma de reduzir a judicialização do trabalho é a melhoria da fiscalização. “Nossa fiscalização do trabalho é falha. Temos um déficit de um terço de auditores. Se houvesse mais fiscalização, deixariam de descumprir a lei, e aí talvez nem precisasse da Justiça do trabalho. Na Escócia, por exemplo, o número de ações é muito pequeno. Mas o que acontece se o empregador não pagar o salário? Ele vai preso”, afirma.


Procurador-geral do Trabalho, Ronaldo Fleury/Foto: Divulgação

O procurador também observa que o empresário brasileiro ainda mantem uma “mentalidade escravocrata”. “O Brasil ainda tem uma cultura escravocrata. Fomos um dos últimos países a abolir a escravidão e até hoje a escravidão é uma realidade. Mesmo nos grandes centros, nas grandes empresas, a mentalidade é escravocrata”, destaca.

Para Fleury, a entrada em vigor de pontos como o contrato intermitente permitirá a institucionalização das fraudes. “É o que essa reforma está fazendo: tudo que era feito como fraude está sendo institucionalizado. Poderia ser contratado a um tempo parcial. Em vez de contratar por 44 horas, eu vou contratar a pessoa por 5 horas por semana. Isso é possível desde o fim dos anos 1990”. “O que está se criando são estruturas legais, fórmulas de trabalho que existiam 200 anos atrás, como a própria jornada intermitente”, completa.

Leia a íntegra da entrevista.

Fonte: 247 BRASIL

Artigo anteriorCientistas transformam DNA de bactérias em ‘HD natural’ para armazenar informações
Próximo artigoComo uma tatuagem ajudou polícia argentina a identificar rede de tráfico com brasileiras

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Correio da Amazônia
Visão Geral de Privacidade

Este site usa cookies para que possamos oferecer a melhor experiência de usuário possível. As informações de cookies são armazenadas em seu navegador e executam funções como reconhecê-lo quando você retorna ao nosso site e ajudar nossa equipe a entender quais seções do site você considera mais interessantes e úteis.