
Tabatinga deu mais um passo para se consolidar como um polo comercial na região da tríplice fronteira entre Brasil, Colômbia e Peru. A implantação das chamadas lojas francas, conhecidas como free shops, começou a ser estruturada por meio de uma articulação entre órgãos públicos e entidades do setor produtivo, com o objetivo de impulsionar a economia local e ampliar o potencial turístico do Alto Solimões.
As lojas francas poderão comercializar produtos nacionais e importados com redução ou isenção de tributos, tornando os preços mais competitivos para moradores e visitantes. A expectativa é que o novo modelo fortaleça o comércio da região e atraia consumidores de diferentes partes do Brasil e dos países vizinhos.
A instalação dos estabelecimentos é prevista pela Lei Federal nº 12.723/2012, que autoriza a criação de free shops em municípios brasileiros localizados na faixa de fronteira e considerados cidades-gêmeas de localidades estrangeiras. Tabatinga se enquadra nesse requisito por fazer divisa direta com Letícia, na Colômbia.
Além de ampliar a oferta de produtos, o projeto é visto como um instrumento para estimular investimentos em setores como hotelaria, gastronomia, transporte e serviços. A expectativa é que o aumento da movimentação econômica fortaleça o turismo regional, gere novos empregos e crie oportunidades para pequenos empreendedores.
Outro ponto destacado é o potencial para valorizar a bioeconomia amazônica, permitindo que produtos sustentáveis produzidos no Alto Solimões tenham maior visibilidade e acesso a novos mercados.
Como referência, o Amazonas observa a experiência de Foz do Iguaçu (PR), onde a implantação das lojas francas contribuiu para o fortalecimento da economia local e para a expansão do comércio formal.
Embora Tabatinga já possua legislação municipal regulamentando o tema desde 2014, a implantação efetiva dos free shops depende da criação de um ambiente favorável aos investimentos, com melhorias em infraestrutura, logística e conectividade.
Para acelerar esse processo, foi criado um grupo de trabalho coordenado pelo Núcleo de Integração de Faixa de Fronteira do Amazonas (Niffam), vinculado à Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação (Sedecti), em parceria com a Amazonastur e o Sebrae Amazonas.
A iniciativa também prevê diálogo com a Receita Federal e ações de qualificação profissional para preparar a mão de obra local, com a meta de transformar o corredor formado por Tabatinga, Benjamin Constant e Atalaia do Norte em uma das principais referências comerciais e turísticas da faixa de fronteira brasileira.




