
A Ferrovia Transnordestina surge como um divisor de águas para os produtores da Região Metropolitana do Cariri, no sul do Ceará, prometendo reduzir drasticamente os custos logísticos e abrir portas para novos mercados. A iniciativa visa dinamizar a produção agropecuária local, que enfrenta desafios de competitividade devido à distância dos grandes centros consumidores e aos altos custos do transporte rodoviário.
A Associação dos Produtores de Algodão do Estado do Ceará (APAECE) é uma das entidades que sentem o impacto da logística precária. Segundo Cícero Gonçalves, tesoureiro e cofundador da APAECE, o modal rodoviário pode triplicar os custos operacionais. “Para comprar 100 mil quilos de adubo, por exemplo, podemos ter até três cobranças diferentes de frete”, exemplifica.
Inovação e cooperativismo impulsionam o setor
A expectativa é que a instalação de um terminal de cargas da Transnordestina Logística S.A. (TLSA) em Missão Velha, área estratégica para o plantio de algodão da APAECE, traga viabilidade para a exportação da produção em larga escala. Cada hectare plantado gera, em média, 2.500 quilos de algodão, com a pluma sendo comercializada a cerca de R$ 9 por quilo.
Para acelerar o desenvolvimento econômico do Cariri, a Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB) e o Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo (Sescoop) têm fortalecido parcerias na região. Lucas Bonfim, analista de Desenvolvimento de Cooperativas do Sistema OCB, lidera um novo escritório em Juazeiro do Norte, oferecendo consultoria para formalizar cooperativas e conectar produtores rurais. O objetivo é facilitar o acesso a políticas públicas, crédito, assistência técnica e novos mercados.
A articulação já trabalha com produtores de apicultura, pecuária de leite, hortifrutigranjeiros, mandiocultura, bovinocultura e cotonicultura. A criação da cooperativa de agroindústrias do Cariri reunirá empreendedores para otimizar a compra de insumos e a comercialização. A APAECE, por exemplo, apoia a iniciativa para adquirir insumos em associação e vender caroços e plumas de algodão em larga escala para indústrias têxteis.
Novos mercados e potencial exportador
A Transnordestina é vista como uma ferramenta essencial para o acesso a novos mercados, especialmente para o setor de orgânicos, com destaque para tomate e batata, produtos de alta demanda nos mercados europeu e americano. O modelo de contratação sob demanda da ferrovia permite que cooperativas, mesmo com necessidades menores, possam contratar vagões, facilitando tanto a compra de insumos quanto o escoamento da produção.
Ferrovia em fase operacional
A Ferrovia Transnordestina, com 1.206 quilômetros de extensão e 80% de avanço físico, conta com o forte apoio do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR), por meio do Fundo de Desenvolvimento do Nordeste (FDNE). Atualmente, 100% dos lotes que chegam ao Porto do Pecém estão contratados, e mais de 3.500 trabalhadores estão empregados na obra. Um trecho de aproximadamente 679 quilômetros, entre Piauí e Ceará, já está liberado para circulação experimental de trens de carga.
Com informações da Agência Gov




