
A uma semana do segundo turno das eleições presidenciais, marcado para 25 de outubro, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) apresenta números diferentes sobre as seções eleitorais que tiveram seus locais de votação alterados. (veja aqui)
Uma apuração da Revista Fórum encontrou três levantamentos diferentes, todos atribuídos a informações do próprio Tribunal, com uma diferença de milhares de registros.
A poucos dias do segundo turno das eleições de 2026, divergências nos números divulgados sobre mudanças de locais de votação levantam questionamentos sobre falta de transparência das informações da Justiça Eleitoral.
Reportagem publicada pela MSN, assinada por Diego Feijó de Abreu, apontou diferenças entre levantamentos relacionados às alterações de seções eleitorais, tornando necessário esclarecer os critérios utilizados e a atualização dos dados.
Zonas mudando de endereço
Na sexta-feira (16), a Justiça Eleitoral informou que 4.352 seções haviam mudado de endereço entre os turnos. O balanço, divulgado pela Agência Brasil, apontava 982 alterações em São Paulo, 514 em Minas Gerais, 431 no Rio de Janeiro e 312 na Bahia.
Um dia depois, um relatório anexado a uma ação protocolada no TSE pela coligação Brasil Pronto pra Mais, do presidente Lula (PT), apresentou outro resultado: 4.864 seções eleitorais alteradas, envolvendo 1.795.241 eleitores.
De acordo com os números apresentados na reportagem, levantamentos distintos indicaram 4.352, 4.864 e 2.033 registros relacionados às mudanças. As diferenças reforçam a necessidade de explicar se os dados correspondem a momentos distintos de atualização, a critérios de contagem diferentes ou a situações eleitorais que não são diretamente comparáveis.
TSE ‘justifica’ as mudanças
Em informações divulgadas em seu portal oficial, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) explicou que alterações nos locais de votação podem ocorrer por motivos como reformas não concluídas, problemas de acessibilidade, falta de energia elétrica e danos provocados por chuvas e ventos.

Apesar das justificativas para as mudanças, falta esclarecer a divergência entre os números apresentados nos levantamentos e a reportagem, com indicação da data de atualização, e a metodologia aplicada pelo TSE em cada consulta.
Confiança do eleitor
A divulgação de informações reais é essencial para que partidos, candidatos, fiscais e cidadãos possam votar e acompanhar o processo eleitoral. Quando as consultas apresentam números diferentes, sem consistência e a desinformação causa confusão na cabeça do eleitor, cabe à Justiça Eleitoral explicar as razões por que motivo mudou os endereços das Zonas Eleitorais.
O questionamento central é a necessidade de clareza sobre os registros e sobre as mudanças realizadas, especialmente diante da proximidade do segundo turno, marcado para 25 de outubro.
Alterações
Na mensagem enviada ao TSE, a reportagem perguntou diretamente por que o levantamento nacional apresentava 431 alterações no estado, enquanto o comunicado do tribunal regional registrava somente cinco. Também solicitou acesso ao arquivo original, a data de extração e os critérios utilizados na contagem.
A assessoria acrescentou que as alterações não são determinadas centralmente pelo TSE, mas pelas zonas eleitorais, conforme as condições de infraestrutura de cada município.
Apesar disso, a resposta não esclareceu a diferença entre as 431 seções atribuídas ao Rio de Janeiro e as cinco informadas pelo TRE-RJ, nem detalhou os critérios usados para chegar aos números inicialmente divulgados.
Fórum acessou o link indicado pelo TSE e encontrou apenas 2.033 registros
Após receber a resposta, a reportagem entrou no sistema oficial indicado pela própria assessoria de imprensa do TSE e realizou uma nova consulta às seções eleitorais alteradas no segundo turno.
A pesquisa foi feita com todos os estados, municípios, zonas e locais de votação selecionados, sem restrições geográficas. Na tela, o sistema informava que os dados haviam sido atualizados em 18 de outubro, às 11h27.

O resultado da exportação foi surpreendente: apenas 2.033 registros, sendo 2.015 referentes a seções no Brasil e 18 no exterior.
O arquivo baixado diretamente do TSE reúne 592.870 eleitores vinculados às seções relacionadas. O número contrasta com os 1.795.241 eleitores apresentados no relatório anexado à ação judicial no dia anterior.
Em comparação com as 4.864 seções brasileiras relacionadas naquele relatório, a nova exportação contém 2.849 registros a menos no território nacional, uma redução de aproximadamente 58,6%.
A conferência do arquivo CSV confirmou que ele contém 2.033 linhas de dados. A mesma quantidade aparece no sistema consultado pela reportagem, que oferece a relação individual das seções e identifica os locais de votação inicial e final.
Risco de o eleitor não votar novamente
Eleitor deve confirmar o endereço antes de sair de casa ou correr o risco de não encontrar a Zona Eleitoral igual ocorreo no primeiro turno. A consulta pode ser feita pelo aplicativo e-Título, pelo Autoatendimento Eleitoral ou pelo assistente virtual ChatVote, disponíveis nos canais oficiais da Justiça Eleitoral.
A orientação é conferir o endereço, a zona e a seção eleitoral antes de se deslocar para votar. A medida busca evitar deslocamentos equivocados e reduzir o risco de que o eleitor chegue a um endereço que não corresponda ao seu local atualizado.
É importante preservar a transparência do processo eleitoral e assegurar que a população tenha acesso a informações claras, atualizadas e confiáveis.
Fontes: reportagem da MSN, assinada por Diego Feijó de Abreu
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