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Veja como a alta dos preços afetou o bolso dos brasileiros

O retorno da inflação em 2021 - foto: recorte

Em 2021, a inflação voltou a pesar no bolso dos brasileiros — e na economia. O aumento generalizado de preços foi resultado de uma combinação de fatores negativos: alta do dólar, valorização global do petróleo e seca, que levou a uma quebra de safras no campo e ao aumento dos preços de energia.

Nos 12 meses até novembro, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) atingiu 10,74%. No mês, chegou a 0,95% — a maior taxa para novembro desde 2015. Para 2022, o mercado financeiro prevê uma inflação acima de 5% e o estouro da meta pelo segundo ano seguido.


“SE A GENTE SOMAR A PARTICIPAÇÃO DE TODOS OS ENERGÉTICOS [ELÉTRICA E DERIVADOS], ENCONTRAMOS QUASE 50% DO RESULTADO GERAL DO IPCA”, ANALISOU O ECONOMISTA ANDRÉ BRAZ, DA FUNDAÇÃO GETULIO VARGAS (FGV).

Na prática, a inflação implicou na queda do poder de compra da população, em reajustes salariais sem ganho real e no aumento da pobreza no país. Com isso, muitos brasileiros tiveram dificuldades para adquirir itens essenciais da cesta básica, como arroz, feijão e carne, o famoso prato feito.

Confira abaixo os principais responsáveis pela inflação deste ano:

Alimentos

Após ter disparado 14% em 2020, o preço dos alimentos continuou em alta este ano e subiu mais 7% entre janeiro e novembro, segundo o IBGE.

No campo, problemas climáticos contribuíram com a elevação dos preços, como a seca prolongada e as geadas, que prejudicaram colheitas importantes no país.

“O choque dos preços dos alimentos foi o mais emblemático deste ano. A Ana Maria Braga voltou a usar o colar de tomates [para discutir a alta de preços em fevereiro] e o país enfrentou uma disparada no valor das carnes”, disse Étore Sanchez, economista-chefe da Ativa Investimentos.

Além disso, a menor oferta de bovinos pressionou os preços da carne — fazendo com que o alimento se tornasse uma especiaria no prato da maioria dos brasileiros e, em casos extremos, levassem pessoas a buscar ossos descartados por frigoríficos. Alguns supermercados chegaram a vender a proteína animal com alarme antifurto.

Alguns dos alimentos que tiveram mais alta de preço em 2021 foram frango, ovos, carne bovina, açúcar, café e tomate. O óleo de soja, por sua vez, que dobrou de preço em 2020, desacelerou a alta.

Em novembro, o grupo “Alimentação e bebidas” registrou deflação (-0,04%). Segundo o IBGE, o resultado se deve ao custo da alimentação fora do domicílio (-0,25%). As quedas mais relevantes foram nos preços do leite longa vida (-4,83%), do arroz (-3,58%) e das carnes (-1,38% no mês, mas com avanço de 6,98% no ano).

Por outro lado, houve aumentos em novembro nos preços da cebola (16,34%), café moído (6,87%), açúcar refinado (3,23%), frango em pedaços (2,24%) e queijo (1,39%).

Câmbio

A valorização do dólar frente ao real encareceu os produtos importados que chegaram ao Brasil, como combustíveis, bens duráveis e boa parte dos componentes fundamentais para a indústria, por exemplo.

As exportações também se tornaram mais lucrativas e atraíram os produtores nacionais, que preferiram exportar os alimentos produzidos aqui do que vender para o mercado interno. Neste caso, vale a lei da oferta e da procura: se faltam produtos e sobra demanda, o preço sobe.

É POR ESTE MOTIVO QUE O BRASIL VIVE UM PERÍODO DE ALTA INFLAÇÃO E BAIXA ATIVIDADE ECONÔMICA AO MESMO TEMPO, EXPLICOU ANDRÉ BRAZ, DA FGV: “A DEMANDA AUMENTOU FORA DO BRASIL, FAZENDO COM QUE OS PREÇOS SUBISSEM POR AQUI TAMBÉM”.

Até o último dia 21, a moeda norte-americana acumulava valorização de 10,63% frente ao real desde o início do ano.

Energia elétrica

Um dos motivos para a disparada da inflação neste ano foi a crise hídrica, a pior dos últimos 91 anos, resultado de um baixo volume de chuvas na região dos reservatórios do Sudeste e Centro-Oeste, que respondem por 70% da geração de energia no país.

O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) foi obrigado a acionar as usinas termelétricas para garantir o fornecimento de energia neste ano. As térmicas, porém, são mais poluentes e caras, o que elevou o custo de geração de energia em 2021, repassado aos consumidores por meio das bandeiras tarifárias.

A última bandeira foi definida em agosto: a “tarifária escassez hídrica”, que adiciona R$ 14,20 às faturas para cada 100 kW/h consumidos. Ela vale até hoje no Brasil, com exceção das famílias de baixa renda.

Em novembro, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) informou que a conta de luz dos consumidores incluídos na Tarifa Social de Energia Elétrica passaria a ter bandeira tarifária verde — a mais barata.

No IPCA de novembro, custos com habitação foram novamente pressionados pela energia elétrica (1,24%). Os gastos das famílias neste segmento acumularam uma alta de 31,87% nos últimos 12 meses.

Combustíveis

Os principais vilões da inflação de 2021 foram os combustíveis, por conta da alta do dólar e maior demanda global por petróleo. E se engana quem acredita que não foi afetado porque não tem carro: a alta da commodity afeta diretamente o setor de transportes e logística — influenciando os custos de praticamente todos os setores da economia.

O barril está supervalorizado, em grande parte, porque quando a pandemia começou, no início de 2020, os países que mais exportam petróleo reduziram a produção. Na época, diminuir a oferta foi uma forma de evitar que o preço do barril caísse muito. Este ano, com a retomada das atividades, a procura aumentou, mas a produção ainda não. O que tem para comprar ficou mais caro e em dólar, explicaram os economistas.

Em 12 meses até novembro, os combustíveis subiram, todos eles, mais de 40%. No caso do etanol, a alta acumulada chegou a quase 70%. Já a gasolina subiu 50% no período, segundo o IBGE.

Fonte: G1

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