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Exclusivo: julgamento da ‘Maus Caminhos’ em agosto, no STF, deve respingar nas candidaturas de Omar e Roberto Cidade

Recurso do ex-secretário de Fazenda do Amazonas, Afonso Lobo Moraes, e o médico e empresário Mouhamad Moustafa será julgado em agosto no STF. Ato pode respingar nas candidaturas de Omar e Cidade - foto: montagem/recuperadas

STF pauta para agosto recursos de Afonso Lobo e Mouhamad Moustafa pela Operação Maus Caminhos

O Supremo Tribunal Federal (STF) incluiu na pauta de julgamentos do mês de agosto o agravo regimental no Recurso Extraordinário (RE nº 1.585.993), que representa uma agressiva contraofensiva da Procuradoria-Geral della República (PGR) contra os principais alvos da histórica “Operação Maus Caminhos”, que investigou o desvio de mais de R$ 200 milhões da saúde pública no Amazonas.


Sob a relatoria do ministro Nunes Marques, a Suprema Corte vai dar a palavra final sobre o recurso do Ministério Público Federal (MPF), que tenta reverter decisões que beneficiaram o ex-secretário de Fazenda do Amazonas, Afonso Lobo Moraes, e o médico e empresário Mouhamad Moustafa.

Medidas cautelares e penalidades

A investida de Brasília busca cassar os acórdãos das instâncias inferiores que abrandaram a situação jurídica dos réus. O MPF briga no STF para restabelecer integralmente as medidas cautelares e as penalidades contra os acusados de comandar o desvio de centenas de milhões de reais da saúde pública amazonense utilizando contratos fraudulentos com o Instituto Novos Caminhos (INC).

Na ação penal, Mouhamad Moustafa, apontado como o mentor intelectual e chefe do esquema, é assistido juridicamente pela Defensoria Pública-Geral Federal, enquanto o ex-secretário Afonso Lobo conta com a banca do renomado advogado criminalista Alberto Zacharias Toron.

Curto-circuito

O julgamento em Brasília ganha uma voltagem política ainda mais alta por ocorrer em meio ao processo eleitoral deste ano, que promete ser um dos mais duros e polarizados da história do Amazonas. O julgamento pode causar curto-circuito em candidaturas e ampliar os efeitos da polarização, que hoje já causa danos nos índices de intenção de votos dos que transitam na ponta do gráfico.

Maior escândalo na saúde do Amazonas e nas forças políticas do estado

O retorno do maior escândalo de corrupção da saúde aos holofotes do Judiciário, justamente no momento em que as principais forças políticas do estado se enfrentam nas urnas, tende a abastecer o debate público e a retórica das campanhas, tornando-se combustível inflamável no tabuleiro eleitoral.

A decisão do ministro Nunes Marques e do colegiado funcionará como um divisor de águas para as punições da Maus Caminhos.

O veredito definirá se o STF acolherá o pedido do Ministério Público para endurecer o cerco contra a cúpula do esquema, mantendo as condenações por peculato, corrupção e lavagem de dinheiro, ou se manterá os reveses sofridos pela acusação em pleno ano de definições políticas no estado.

Esposa Nejmi Aziz e os irmãos do senador Omar, que também foram presos, Murad e Mansour Aziz – foto: arquivo/AC

Respingos nas candidaturas de Omar e Roberto Cidade

O escândalo que tornou um tema recorrente na política do Estado é marcado por desvio de mais de R$ 200 milhões da saúde pública amazonense. O caso envolveu diretamente gestões anteriores e figuras de grande influência que participam ativamente da corrida pelo governo do Amazonas em 2026.

Caso venha a ser julgado em agosto, conforme pauta do STF, a Operação Maus Caminhos, vai bombardear as candidaturas de Omar Aziz (PSD), que teve seu nome envolvido na operação e de seus desdobramentos, como a Operação Vertex. A Polícia Federal (PF) chegou a indiciá-lo por supostos contratos fraudulentos com familiares presos temporariamente sob suspeita de envolvimento no esquema. O senador nega as acusações e alega que o processo não gerou condenações que o tornassem réu.

O outro pré-candidato e atual governador tampão do Amazonas, Roberto Cidade (União Brasil) é frequentemente associado por opositores e críticos aos debates do passado envolvendo a operação. Cidade rebate as acusações, afirmando que tais ligações fazem parte de “narrativas políticas” típicas do período eleitoral.

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FONTEhttps://correiodaamazonia.com
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