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Autazes ganha a primeira queijaria artesanal flutuante no Amazonas

Queijaria Artesanal de Autazes/Foto: Lucinei de Souza

A iniciativa de cinco irmãos da Vila do Novo Céu, no município de Autazes, vai se tornar modelo de queijaria artesanal para produtores, cooperativas e associações que, na maioria, atuam de forma irregular.
A Queijaria Artesanal Flutuante foi inaugurada ontem (17), e já opera com a certificação do Serviço de Inspeção Estadual (SIE), emitido pela Secretaria de Estado de Produção Rural (Sepror/AM), por intermédio da Agência de Defesa Agropecuária e Florestal do Amazonas (Adaf).

A queijaria flutuante está situada na margem esquerda do Rio Mutuca, próximo à Vila Novo Céu, e vai utilizar apenas leite produzido pelas vacas do rebanho da família que administra a agroindústria. Dentre as normas que foram atendidas pelos irmãos para conseguir o selo de inspeção, está a instalação de área externa de limpeza e vestuário, materiais em inox, área de recolhimento de leite, caixa d´água (na terra), caixa de tratamento de efluentes – que é depositada em terra-firme, assim como o soro do leite, que será utilizado na alimentação animal.  Hoje no Amazonas existem 17 queijarias com este selo, localizadas em Manaus, Presidente Figueiredo, Itacoatiara, Autazes, Careiro Castanho, Apuí, Careiro, Iranduba e Parintins. A DeS é a primeira flutuante a receber o SIE.


A queijaria antiga processava entre 600 a 800 litros de leite por dia, o que resultava em 60 a 80 kg de queijo/dia. Com o novo estabelecimento, a produção deve saltar para 1000 kg leite/dia, sendo que a agroindústria tem capacidade instalada para 2.000 litros de leite/dia, que resultaria em 200kg de queijo/dia. Wmilliam Serudo, 49, mais conhecido como Teté, que administra a queijaria, afirma que a atividade passou de geração em geração, e por isso, os irmãos decidiram melhorar o negócio e se adequar às normas vigentes para o segmento. “Tudo está evoluindo, porque nosso queijo não poderia evoluir?”, ressaltou ele.

A queijaria flutuante vai produzir dois tipos de queijo coalho artesanal, de vaca e de búfala, com investimento de aproximadamente R$ 130 mil reais. Os empreendedores garantem que decidiram fazer a agroindústria flutuante para adequar a atividade aos ciclos de seca e cheia dos rios. “Na cheia ela fica onde está e na seca vamos leva-la para o Paraná de Autaz-Mirim, já que aqui, quando seca, só passam pequenas canoas. Dessa forma, vamos ter produção durante todo o ano”, garantiu Wmilliam.

Outro irmão que trabalha no negócio, Hudson Serudo, é responsável pela logística e venda dos queijos. Ele, que já vende o produto artesanal em grandes supermercados, panificadoras e cafés da manhã da capital, garante que a certificação vai ajudar a ampliar o mercado. “Existe um grande mercado, principalmente em Manaus, e que não entramos porque ainda não temos este selo, mas a partir de agora, vamos entrar neste novo mercado. Com o diferencial do nosso queijo artesanal de qualidade”, garantiu ele.

Compareceram à inauguração do estabelecimento flutuante, empresários do ramo, vereadores do município, o prefeito José Tomé Filho, as equipes da Sepror, do Idam local, fiscais e diretoria da ADAF, o presidente da Agência, Sérgio Muniz, além de pecuaristas da região interessados em ver como a queijaria funciona para implantar novas com preços menores  e que estejam dentro das normas previstas.

O objetivo da Secretaria de Estado da Produção Rural, que concedeu o SIE, é de que a queijeira flutuante possa ser exemplo para pequenos produtores e cooperativas. “Nós queremos que eles saiam da irregularidade, pois vamos intensificar as fiscalizações com base na legislação vigente”, afirmou o presidente da ADAF, Sérgio Muniz.

Segundo a médica veterinária da Sepror, Sinara Albuquerque, é grande o número de produtores de queijo irregulares. “Ainda vamos fazer um trabalho de catalogação da bacia queijeira na Região Metropolitana de Manaus, mas com as visitas a campo percebemos que a maioria dos produtores de queijo está atuando de maneira informal, muitas vezes, em condições precárias de higiene e salubridade, muito aquém do que a lei preconiza”, afirmou Sinara.

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