
A Justiça Eleitoral recebeu, nesta sexta-feira (24/04), o primeiro pedido de Força Federal para garantir a segurança das eleições gerais de outubro deste ano para o município de Boca do Acre, distante 1.150 quilômetros de Manaus.
A solicitação parte da 14ª Zona Eleitoral, que acionou o alerta máximo de segurança devido ao isolamento geográfico e ao “histórico negativo de atos de violência” durante as eleições no município.
A decisão, relatada pela juíza Maria Auxiliadora dos Santos Benigno no processo nº 0600004-18.2026.6.04.0014, expõe a fragilidade da segurança local.
No pedido, o juízo zonal foi enfático ao declarar que o efetivo policial atual é insuficiente para garantir a lei e a ordem caso ocorram tumultos.
A magistrada destacou que as enormes distâncias e a dificuldade de acesso à região inviabilizam qualquer reação institucional rápida, tornando a presença das Forças Armadas uma medida preventiva indispensável.
Com o pedido formalizado, o processo segue agora para a Presidência do TRE-AM. O objetivo é garantir o “poder inibitório” das tropas federais para proteger o patrimônio público e o direito ao voto.
Tradicionalmente, o Amazonas demanda apoio militar por sua logística complexa, mas o pedido precoce de Boca do Acre sinaliza que a Justiça Eleitoral não tolerará incidentes de violência e busca cercar o pleito de total segurança muito antes da abertura das urnas.
O pedido de Boca do Acre abre um precedente para que outros municípios do interior, que enfrentam desafios logísticos e de segurança semelhantes, também formalizem suas demandas.
Na eleição de 2024, além de Boca do Acre, Carauari, Japurá, Benjamin Constant, Rio Preto da Eva, Eirunepé, Nova Olinda do Norte, São Sabriel da Cachoeira, Itamarati, Parintins, Tefé, Manicoré, Maraã, Itacoatiara, Santa Isabel do Rio Negro, São Paulo de Olivença, Lábrea, Borba, Alvarães, Juruá, Codajás, Humaitá, Canutama, Tabatinga, Coari, Atalaia do Norte, Iranduba, Autazes, Guajará, Ipixuna, Presidente Figueiredo, Fonte Boa, Manacapuru, Manaus, Novo Aripuanã, Barcelos, e Maués contaram com a Força Federal.
A medida garante que o Exército Brasileiro atue na logística de transporte de urnas e na manutenção da paz em zonas consideradas de risco.






