
Financial Times aponta Brasil perto de superar os EUA; força agrícola também passa pela produção do MST
O Brasil está próximo de alcançar uma posição histórica no comércio mundial. Reportagem publicada pelo jornal britânico Financial Times aponta que o país poderá ultrapassar os Estados Unidos e assumir o posto de maior exportador agrícola do planeta.
Segundo os números apresentados pela publicação, os Estados Unidos exportaram cerca de US$ 171 bilhões em produtos agrícolas no último ano, enquanto o Brasil alcançou aproximadamente US$ 169,2 bilhões. A diferença, que já chegou a US$ 56 bilhões em 2021, caiu para menos de 2%, colocando os dois países praticamente empatados.
No primeiro semestre de 2026, as exportações brasileiras do setor cresceram 6% e chegaram ao recorde de US$ 87 bilhões. O desempenho é impulsionado principalmente pela soja, carnes bovina e de frango, café, açúcar e algodão, além da capacidade brasileira de colher mais de uma safra por ano em várias regiões.
Disputas entre Estados Unidos e China
A ascensão brasileira também foi favorecida pelas disputas comerciais entre Estados Unidos e China. Diante das tarifas e das incertezas impostas por Washington, compradores chineses ampliaram suas compras no mercado brasileiro, consolidando novas rotas de fornecimento e reduzindo a participação norte-americana em setores estratégicos.
Além das grandes exportações
Embora a possível liderança mundial seja sustentada principalmente pelo agronegócio exportador, a força agrícola do Brasil não está concentrada apenas nas grandes propriedades rurais. A agricultura familiar, as cooperativas e os assentamentos da reforma agrária também cumprem papel fundamental na produção de alimentos consumidos diariamente pela população brasileira.
Nesse cenário, destaca-se a atuação do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), que reúne, segundo dados divulgados pelo próprio movimento, aproximadamente 185 cooperativas, 120 agroindústrias, 1,9 mil associações e cerca de 400 mil famílias assentadas em várias regiões do país.
Os assentamentos ligados ao MST produzem arroz, feijão, milho, mandioca, café, cacau, leite, carnes, frutas, verduras e outros alimentos. Parte dessa produção é comercializada por cooperativas, abastece mercados locais e também chega às escolas e instituições públicas por meio de programas governamentais de compra de alimentos.
Orgânicos
O movimento ganhou projeção especialmente na produção de arroz orgânico e agroecológico. Para 2026, cooperativas ligadas aos assentamentos estimavam uma colheita de aproximadamente 14 mil toneladas de arroz sem agrotóxicos, reforçando uma cadeia produtiva voltada à alimentação saudável e à preservação ambiental.
Apesar de representar uma parcela menor do volume total exportado pelo país, a produção do MST tem importância econômica e social por gerar trabalho e renda no campo, fortalecer cooperativas, estimular a agroindustrialização e colocar alimentos básicos na mesa da população.
Agricultura brasileira
A possível ultrapassagem dos Estados Unidos, portanto, revela duas dimensões da agricultura brasileira: de um lado, o país se consolida como potência exportadora de commodities; de outro, agricultores familiares, pequenos produtores e assentados contribuem diretamente para o abastecimento interno e para a segurança alimentar.
Mais do que uma simples mudança no ranking internacional, a liderança brasileira poderá representar uma transformação na geopolítica mundial dos alimentos. O desafio será transformar essa força produtiva em desenvolvimento, geração de empregos, proteção ambiental e comida acessível para todos os brasileiros.




