
Militantes do Partido dos Trabalhadores no Amazonas (PT-AM) tem notado a ausência do presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas peças publicitárias e até nos discursos do presidente estadual do PT, Sinésio Campo.
Conforme reclamações, o presidente da legenda no Estado, deveria ser o primeiro a puxar o bloco de apoio a Lula, mas não é o que vem acontecendo. Na pré-campanha, todos os candidatos majoritários, menos, claro, a do PL, ou falaram sobre Lula ou estiveram com Lula para pedir apoio ou, simplesmente, ‘para aparecer na foto’ com ele.
Cadê Lula?
A cobrança de petistas por maior empenho do presidente estadual da legenda na campanha de Lula no Amazonas se justifica, portanto, pelo fato de outros candidatos de partidos – Omar Aziz (PSD), David Almeida (Avante), Roberto Cidade (União Brasil), procurarem associar suas imagens ao presidente da República e candidato à reeleição em 2026 e Sinésio se “fingindo de morto”.
Ativo político
Durante a pré-campanha, lideranças de outros partidos que não ao PT, buscaram aproximação com o presidente Lula, participaram de agendas ao seu lado ou passaram a destacar investimentos e programas do Governo Federal. O próprio PT-AM decidiu apoiar Omar Aziz (PSD) ao Governo do Amazonas.
A justificativa na ocasião, era de que programas sociais e realizações da administração Lula precisavam ganhar maior visibilidade, principalmente em Manaus, onde o presidente enfrentou maior resistência eleitoral em 2022.
Números ajudam a explicar a preocupação
No segundo turno da eleição presidencial de 2022, Lula venceu no conjunto do Amazonas com 51,10% dos votos válidos, mas foi derrotado em Manaus.
Segundo levantamento citado à época por Sinésio, Lula obteve aproximadamente 468 mil votos na capital, contra cerca de 550 mil de Jair Bolsonaro. Foi o desempenho no interior, onde Lula alcançou aproximadamente 806 mil votos, que garantiu sua vitória no Estado.
Quatro anos depois, a ligação com Lula continua tendo peso na eleição amazonense. Pesquisa registrada no TSE e realizada no início de julho apontou, por exemplo, que 54% da base eleitoral de Omar Aziz era formada por eleitores de Lula, o maior vínculo entre uma candidatura ao governo e o presidente identificado naquele levantamento.
Lula virou ativo eleitoral
Até mesmo David Almeida (Avante), que passou boa parte da pré-campanha disputando o Governo do Estado fora do campo formal do PT, começou a destacar ações do governo federal.
Em maio, David utilizou suas redes sociais para valorizar a entrega de apartamentos do Minha Casa, Minha Vida em Manaus e ressaltou a importância do empreendimento realizado em parceria com o governo federal.
É justamente esse cenário que alimenta o questionamento de setores da militância petista: se políticos de outras legendas procuram associar suas candidaturas ao presidente, por que Lula não aparece com maior intensidade na comunicação de quem preside o PT no Amazonas?
A questão tende a ganhar peso a partir de agora. A campanha eleitoral começou oficialmente no último domingo (16), e o próprio PT nacional adotou Lula como centro de sua estratégia de mobilização eleitoral.
A eventual ausência ou presença do presidente nas peças de Sinésio, portanto, poderá ser medida com maior clareza ao longo das próximas semanas, quando a propaganda eleitoral entrar definitivamente nas ruas e nas redes.




