Chamadas por violência contra crianças e adolescentes aumentam 77,7%

Relatos mais frequentes são de abandono de incapaz, agressão e estupro - Foto: Arquivo SSP-AM

Crianças e adolescentes vítimas de agressão, abandono ou que vivem em situação de vulnerabilidade contam com a atuação das forças de Segurança para serem retiradas do ciclo de violência.

Somente nos primeiros cinco meses de 2021, o serviço emergencial 190 recebeu 1,6 mil denúncias relatando abusos cometidos contra esse público, em Manaus. Os relatos mais frequentes são abandono de incapaz, agressão, estupro de vulnerável e cárcere privado. No mesmo período do ano passado, foram 900 denúncias.

No começo deste ano, policiais militares da 3ª Companhia Interativa Comunitária (Cicom) resgataram duas crianças vítimas de agressão, após recebimento de denúncia. De acordo com o capitão Marcelo Paulino, a mãe das crianças era a principal suspeita de cometer os abusos.

O fato ocorreu no bairro Raiz, zona sul, onde vizinhos informaram que a residência em que as vítimas viviam era utilizada como ponto de vendas de entorpecentes.

O oficial chama atenção para o aumento nos casos de violência contra crianças durante a pandemia. “Ficamos admirados com a quantidade significativa no número de casos de violência contra crianças e adolescentes na nossa área, neste período de pandemia. Tentamos cercar da melhor forma possível, conduzimos até a delegacia especializada para os procedimentos cabíveis e verificamos se as crianças têm parentes”, informou.

Atuando por quatro anos como coordenador-geral dos Conselheiros Tutelares de Manaus, Chiquinho Amaral conta que já presenciou muitas situações chocantes envolvendo crianças e adolescentes. Em um desses casos, registrado na zona sul, duas adolescentes foram retiradas do âmbito familiar após ação conjunta com a PM.

“Nós recebemos a denúncia e fomos até o local. Adolescente é como uma criança, ela fala com os olhos. Se você tiver o dom, você entende nos olhos dela o que estão passando”, relatou.

As adolescentes foram levadas para Delegacia Especializada em Proteção à Criança e ao Adolescente (Depca), onde foi constatado o crime de abuso sexual cometido pelo padrasto das vítimas. O conselheiro tutelar reforça a importância de fazer a denúncia.

“O Conselho Tutelar deve ser acionado sempre que houver qualquer tipo de violação ou ameaça aos direitos da criança e do adolescente. As denúncias podem ser feitas através do disque 100 e também pelo disque-denúncia municipal, no número 0800-092-1407 ou na unidade do conselho tutelar mais próxima”, explicou Chiquinho Amaral.

Para situações emergenciais, a orientação é ligar para o 190, do Centro Integrado de Operações de Segurança (CIOPS).

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