
A incidência de malária é mais alta em locais onde o desmatamento atinge mais de 50% de toda a área. É o que constatou uma pesquisa feita por biólogos brasileiros.
Considerada uma doença negligenciada — ou determinada socialmente, pela nomenclatura oficial — a malária atinge sobretudo a população de baixa renda e tem como vetor a fêmea do mosquito do gênero Anopheles, conhecido como carapanã, muriçoca, sovela e bicuda. No Brasil, o epicentro da doença está localizado nos nove estados da Amazônia Legal, responsável por 138 mil dos 142 mil casos registrados em 2024.
O estudo mostra que o risco de transmissão aumenta quando o desmatamento está acima de 50%. Isso acontece, entre outros motivos, porque o desmatamento aproxima os núcleos populacionais das regiões de floresta. “O risco também é alto quando a vegetação é fragmentada, permitindo maior contato de vetores que estão na floresta com humanos”, explica o biólogo Gabriel Laporta, professor do Centro Universitário Faculdade de Medicina do ABC (FMABC), à Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP).
Por outro lado, quando a área é restaurada para níveis acima de 70%, essa incidência diminui, o que mostra a importância da conservação. O estudo mostra ainda que áreas totalmente desmatadas tem menor recorrência, isso porque esses ambientes se tornam inóspitos para os mosquitos. Além de analisar os vetores, a pesquisa coletou amostras de sangue dos moradores da região.




