Diversidade de temas marca o desfile das Escolas de Samba do Grupo Especial

Andanças de Cigano -Foto: Michael Dantas/Secretaria de Cultura e Economia Criativa

A inclusão social, uma promessa a um santo, os rituais antigos e modernos, o potencial turístico do Amazonas, o orgulho de ser manauara e um projeto de economia sustentável em Iranduba. Estes foram alguns dos temas do Desfile das Escolas de Samba do Grupo Especial, no Carnaval 2020 de Manaus, que brilharam no quesito diversidade. O evento, que encantou as milhares de pessoas que foram ao Centro de Convenções Professor Gilberto Mestrinho (Sambódromo), foi promovido pelo Governo do Amazonas, com entrada gratuita.

De acordo com o secretário de Cultura e Economia Criativa, Marcos Apolo Muniz, a avaliação dos desfiles foi positiva. “Foi uma série de diferenciais. Pela primeira vez, nós tivemos o ensaio técnico das escolas do Grupo de Acesso, que permitiu que eles viessem mais bem preparados competitivamente para a Avenida do Samba; queremos parabenizar todas as escolas de samba que se empenharam juntamente com suas comunidades para trazer encantamento a todos que se fizeram presentes”, declarou o titular da pasta. “Estamos muito felizes por realizar este evento tradicional no calendário cultural de Manaus”.

Primos da Ilha – “Eu andarei com as armas de Jorge e meus inimigos não vão me alcançar”. Foi entoando estes versos que a Primos da Ilha desfilou na Avenida do Samba, com o enredo “A Promessa – Da Capadócia aos tambores africanos. Salve Jorge!”. Primeira na ordem do Grupo Especial, a agremiação homenageou o santo venerado na religião católica e também em religiões afro-brasileiras, sincretizado na forma de Ogum. A agremiação contou a história do soldado romano do exército do imperador Diocleciano, nascido na antiga Capadócia, onde é a Turquia atualmente.

Primos da Ilha – Michael Dantas/Secretaria de Cultura e Economia Criativa

Unidos do Alvorada – A inclusão foi o principal tema do Unidos do Alvorada, que defendeu o enredo “Oi, Eu estou aqui! Alvorada com um cromossomo a mais mostra que ser diferente é normal”, de Alexandre Mascarenhas e Nardua Moura. A agremiação fez uma referência especial às pessoas com Síndrome de Down, mas também a todos que são excluídos por suas diferenças.

“O enredo veio mostrando que todos nós somos filhos de Deus e que devemos respeitar todos, quem tem Síndrome de Down, autistas, deficientes. Isso é algo muito forte, porque Deus não exclui ninguém, e nossa comissão de frente mostra isso”, disse o presidente da Alvorada, Joacy Souza Castelo.

Unidos do Alvorada-Foto: Michael Dantas/Secretaria de Cultura e Economia Criativa

Andanças de Ciganos – A produção de leite no estado do Amazonas foi exaltada pela Andanças de Ciganos, com o enredo “Leite – O líquido da vida no deleite do Carnaval”, de Jorge Ricardo Castro, Robertinho Araújo e Renato Castro.

A agremiação contou a história do alimento em quatro etapas: a criação, com alusões à mitologia; o comércio do leite materno, a regulamentação do alimento e o leite como bebida medicinal; a industrialização do leite; e a produção de leite e queijo em Autazes.

Andanças de Cigano -Foto: Michael Dantas/Secretaria de Cultura e Economia Criativa

Reino Unido da Liberdade – Quarta a entrar na Avenida do Samba para defender o título de campeã do Carnaval, a Reino Unido da Liberdade destacou outro potencial econômico do Amazonas, o turismo. Com o enredo “Turismo – O Amazonas de braços abertos para o mundo”, de Reginei Rodrigues, Zilkson Reis e Leonardo Fierro.

Para tratar do cenário turístico do Amazonas, a Reino destacou o ecoturismo, falando sobre a floresta, os animais, fauna e flora, rituais indígenas e a terra das cachoeiras; o turismo gastronômico, com alas que representavam os pratos e frutos típicos da região; o turismo religioso, sobre os festejos que vão desde Nossa Senhora do Carmo até Nossa Senhora da Conceição, padroeira do Amazonas; e por fim, o turismo cultural, com destaque para o Teatro Amazonas, os festivais da Canção de Itacoatiara (Fecani), de Parintins e Festival Amazonas de Ópera.

Reino Unido da Liberdade – Foto: Michael Dantas/Secretaria de Cultura e Economia Criativa

Grande Família – Representando a zona leste de Manaus, a Grande Família defendeu o enredo “Sou manauara – Há 350 anos sentindo orgulho do meu chão”, de Murilo Rayol. A agremiação do bairro de São José contou sobre o orgulho manauara desde os primórdios, com a tribo Manaó, até o orgulho de ser da zona leste da capital.

As alas representaram a beleza do encontro das águas, a primeira universidade do Brasil no Amazonas, o x-caboquinho, o açaí e os pontos turísticos de Manaus. “A Grande Família vem para mostrar esse resgate da nossa comunidade por meio do orgulho de ser manauara e do orgulho de ser da zona leste, tendo como pano de fundo os 350 anos da nossa cidade”, destacou Altermir Souza, presidente da escola.

A Grande Família – Foto: Michael Dantas/Secretaria de Cultura e Economia Criativa

Mocidade Independente de Aparecida – Os rituais de diferentes culturas e eras da humanidade foi o tema principal da Mocidade Independente de Aparecida, a sexta escola a desfilar na avenida do samba. A agremiação mostrou os rituais de grandes civilizações, como os maias, persas, fenícios, gregos e macedônios, e também os rituais brasileiros, de tribos indígenas e de oferendas a orixás.

O presidente Luiz Pacheco explicou que o enredo foi escolhido como uma forma de inovar na avenida.

O último e quarto carro alegórico da Aparecida fez referência aos 40 anos da agremiação, que serão completados no ano de 2020. A face 2 da alegoria foi intitulada de “Aparecida 20 +20 = 40 anos – Um Ritual de Amor”. Criada em 1980, a escola do bairro de Aparecida reúne 22 títulos do Carnaval de Manaus.

Aparecida – Foto: Michael Dantas/Secretaria de Cultura e Economia Criativa

Vitória Régia – A verde e rosa do bairro Praça 14 foi a penúltima a entrar na avenida, com o enredo “Wernher Botelho é coisa nossa! O abuso é Verde E Rosa”, de Islene Botelho e Rosana Vieira, homenageando o artista plástico que morreu em abril de 2019.

A Vitória Régia contou, na avenida, o amor pelo folclore amazonense e a história de vida de Wernher, que nasceu na Praça 14. O artista plástico e estilista amazonense criou peças para escolas de Manaus e São Paulo, além do Festival Folclórico de Parintins.

Vitoria Regia – Foto: Michael Dantas/Secretaria de Cultura e Economia Criativa

Mocidade Independente do Coroado – A escola de samba do bairro do Coroado trouxe para a avenida o enredo ”Do barro ao petróleo verde, a Mocidade vem coroar o sonho maturo, Iranduba a cidade do futuro”, de Alan Vasconcelos, Alexandre Lima e Rarison Alves.

“O Coroado apresentou um projeto que será implantado em Iranduba, a cidade do futuro, numa iniciativa de um grupo de empresários”, disse o presidente Elson Mendonça, referindo-se ao projeto de economia sustentável que Iranduba foi escolhida para desenvolver, onde microalgas serão usadas para produzir combustível.

Coroado – Foto: Michael Dantas/Secretaria de Cultura e Economia Criativa

Para contar esta história, a Coroado falou sobre a fabricação de tijolos em Iranduba, responsável por 80% da produção no Amazonas, o futuro da educação no município, o protocolo de Kyoto, até a evolução para a biotecnologia.

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