
Um vídeo que viralizou nas redes sociais durante um dos apagões que atingiram Manaus ajudou a traduzir a insatisfação de parte dos consumidores com os problemas no fornecimento de energia no Amazonas.
Durante um protesto no bairro Japiim, um morador questionava, em tom de revolta, onde estava o responsável pela empresa. O registro ganhou repercussão e se tornou mais um episódio de uma sequência de reclamações que marcaram os últimos anos da Amazonas Energia.
A empresa passou ao controle do consórcio Oliveira Energia–Atem após o processo de desestatização iniciado em 2018. A transferência do controle acionário foi formalizada pela Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) em abril de 2019, tendo Orsine Rufino de Oliveira como acionista controlador.
Nos anos seguintes, a distribuidora enfrentou dificuldades financeiras e operacionais e passou a ser alvo de medidas para tentar recuperar a capacidade de prestação do serviço. Em 2024, uma medida provisória autorizou a ANEEL a avaliar a transferência do controle da empresa diante da crise financeira e operacional.
Vídeo
Apagões afetaram moradores
Entre os episódios que marcaram o período está o apagão registrado em Manacapuru, na Região Metropolitana de Manaus, em maio de 2024.
A cidade ficou cerca de 12 horas sem energia. A interrupção começou na tarde do sábado (11) e o fornecimento só foi restabelecido durante a madrugada de domingo (12), Dia das Mães. A falta de energia também prejudicou os serviços de internet e telefonia e afetou o abastecimento de água.
O problema também atingiu o futebol. A partida entre Princesa do Solimões e Manaus FC, pela Série D do Campeonato Brasileiro, precisou ser interrompida porque o estádio ficou sem iluminação. O segundo tempo foi realizado no dia seguinte.
Na ocasião, a Amazonas Energia informou que a interrupção havia sido provocada por um desligamento não programado da linha de transmissão Iranduba-Manacapuru.
O episódio ocorreu poucas semanas depois de outro apagão em Manacapuru. Em abril daquele ano, o município havia enfrentado aproximadamente dez horas de interrupção no fornecimento.
Crise chegou aos serviços essenciais
Os problemas não ficaram restritos às residências e ao comércio.
Em Manaus, interrupções no fornecimento também provocaram questionamentos sobre a segurança de serviços essenciais. Hospitais, sistemas de comunicação e outras atividades dependentes de energia foram afetados em diferentes ocorrências.
A crise da distribuidora ganhou dimensão nacional em 2024, quando a situação financeira e operacional da empresa levou o governo federal a editar uma medida provisória permitindo mecanismos para viabilizar a transferência do controle societário.
A proposta previa que um eventual novo controlador demonstrasse capacidade técnica e econômica para garantir a continuidade e a adequação do serviço.
A própria ANEEL acompanhava o desempenho da empresa desde o processo de privatização. Em documentos regulatórios, a agência registrou mecanismos específicos de acompanhamento das distribuidoras privatizadas e regras diferenciadas de fiscalização previstas nos contratos.
Fim de um ciclo
A mudança de controle começou a ser concretizada em 2026. Em 10 de abril, a Âmbar Energia assumiu oficialmente a operação da distribuidora, encerrando o período de controle do grupo anterior e iniciando uma nova fase para o serviço de energia no Amazonas.
A nova gestão assumiu com três frentes anunciadas como prioritárias: modernização da rede, aumento da eficiência operacional e recuperação do equilíbrio econômico-financeiro da empresa.
Em maio, o Ministério de Minas e Energia anunciou um pacote de aproximadamente R$ 3,3 bilhões em investimentos relacionados à infraestrutura energética do Amazonas. Desse total, R$ 2,34 bilhões estão previstos para investimentos da Âmbar na modernização e expansão da rede entre 2026 e 2028.
Os recursos deverão ser direcionados para ações como expansão e digitalização da rede, instalação de medidores inteligentes e construção e ampliação de subestações em Manaus e no interior.
O desafio da nova fase
A chegada da Âmbar representa uma mudança de controle, mas também coloca sobre a nova concessionária a responsabilidade de enfrentar problemas acumulados ao longo dos últimos anos.
Para os consumidores, a expectativa é que os investimentos anunciados se traduzam em melhorias concretas no serviço: redução das interrupções, modernização da infraestrutura, maior estabilidade da rede e atendimento mais eficiente.
Depois de um período marcado por dificuldades financeiras, apagões e cobranças de órgãos públicos, a distribuidora entra em uma nova etapa. O resultado dessa mudança será acompanhado diretamente pelos consumidores dos 62 municípios atendidos pela empresa.
Agora, o principal desafio será transformar os investimentos anunciados em um serviço de energia mais estável e capaz de atender às necessidades da população amazonense.




