Em Manaus, Zico ironiza eleição de Infantino e se vê como ´patinho feio´

Zico, após amistoso beneficente, em Manaus/Foto: Gabriel Mansur

Zico não perdeu a oportunidade de comentar a eleição de Gianni Infantino para presidente da Fifa, entidade máxima do futebol mundial. Em Manaus para um amistoso beneficente, ele não se mostrou surpreso com o resultado, cobrou transparência, criticou a forma comos os candidatos foram indicados e deixou transparecer insatisfação ao falar sobre sua tentativa de candidatura, afirmando que é visto como um “patinho feio” por grupos de federações. Para o ex-jogador, a América do Sul deve ficar atenta ao cenário atual.
O Galinho tentou lançar candidatura para concorrer no pleito, mas não conseguiu cinco federações que o indicassem. Zico acredita não é visto com bons olhos por ser alguém de fora da Fifa e insinuou que o resultado pode não ser tão favorável à América do Sul.

– Dos cinco candidatos que estiveram lá, todos eles tiveram cargo na Fifa, em alguma entidade. Eu sou o “patinho feio”. Então não interessa para quem está votando, ter alguém de fora. Com isso, prevalece o futebol europeu, que hoje está por cima. Que a América do Sul tome cuidado. Brasil e Argentina, que tem muitos títulos mundiais, estejam atentos, porque hoje quem manda no futebol é a Europa – disse.

O ídolo disse ainda que não se surpreendeu com o resultado, e aproveitou a oportunidade para cobrar transparência e maior participação de todos os segmentos do futebol nas decisões da entidade.

– Já era esperado que a Europa prevalecer. O Platini era o grande favorito e a Fifa caiu no colo do Infantino. As pessoas não votam no nome da pessoa, porque não conhecem o trabalho dele, o que fez no futebol, para escolher ele. Ele era o candidato da UEFA, passou a ser o candidato no posto do Platini, que era o grande favorito. Vamos torcer para que tudo aquilo que ele falou antes possa ser concretizado. É um jovem, tem uma confiança muito grande do mundo do futebol, de quem votou nele, e eu torço para que dê certo. Para que ele possa voltar a dar credibilidade à Fifa, fazer com que a entidade seja democrática e transparente. Que aqueles do meio do futebol, não só jogadores e treinadores, mas médicos, dirigentes, preparadores físicos e terapeutas, participem das decisões do conselho da Fifa, e que não fique restrito a um grupo, esse que votou nele, porque esse grupo está comprometido com a UEFA, com as confederações e é isso que tem que acabar – protestou.

Zico ainda criticou a forma como os candidatos são indicados.

– Acho que deve haver independência e liberdade para as confederações escolherem os candidatos que quiserem, e não termos ainda esse famoso voto em bloco que eu acho que é um atraso para o futebol – completou.

Entenda

O suíço Gianni Infantino, de 45 anos, foi eleito nesta sexta-feira presidente da Fifa. O ex-secretário-geral da Uefa derrotou três candidatos e, no segundo turno, e agora tem mandato até 2019 – complementando o tempo deixado pelo antecessor, Joseph Blatter. Infantino será o nono mandatário da entidade, o oitavo europeu – o brasileiro João Havelange (1974-1998) é a exceção. Sua missão será resgatar uma entidade devastada por escândalos de corrupção e na maior crise de credibilidade de sua história.

Zico anunciou em 2 de junho que tentaria ser candidato à presidência da entidade, logo após Blatter colocar o cargo à disposição por causa da crise que se instalou com a prisão de sete dirigentes ligados à Fifa – incluindo o brasileiro José Maria Marin. Com uma campanha voltada às redes sociais, o Galinho recebeu a promessa da CBF que receberia o apoio caso outras quatro federações também se posicionassem a favor do ídolo do Flamengo, porém, em outubro, o eterno camisa dez anunciou oficialmente que não iria mais ser candidato por não ter conseguido as indicações.(G1)

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui