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Escândalos invisíveis – por Flávio Lauria

Flávio Lauria é Administrador de Empresas e Professor Universitário - Foto: Divulgação/Arquivo Pessoal

O tema é muito delicado e complexo, e o espaço aqui é curto, o que pode me valer ser simplista demais e receber – de boa ou de má fé – algumas reações mais desaforadas. É um risco que assumo, o que não quer dizer que autorizo, se for o caso, receber desaforos. Caso o que eu estou escrevendo mereça debate, que haja debate. Creio que estou é fazendo muito suspense e dramatizando logo de preliminar para um tema que possa nem chamar a atenção. Portanto, vamos ao assunto.

O Brasil vive de escândalos, visíveis, como os da corrupção sem limites e sem vergonha, a exemplo dos mais recentes, o do banco Master, e dos figurões envolvidos nos beneplácitos do Sr. Vorcaro. E convive com os escândalos invisíveis, aqueles que dizem respeito à roubalheira em quase todos os setores da vida pública, aniquilando a baixa autoestima nacional.


Com o desvio de recursos do erário, faltam medicamentos nos postos de saúde, escasseiam as merendas nas escolas públicas, a segurança se transforma em fuzilaria nas ruas e a impunidade cresce feito erava de passarinho. Um dos escândalos invisíveis que ocorre todos os dias e não se transforma em discurso dos congressistas são os dramas da população forçada a conviver com a violência, a baixa qualidade da educação, transportes deficientes, precariedade no sistema de saúde, balas perdidas e os apagões. Manaus fala na implantação de viadutos como o Passarão, mas fecha os olhos ao número de carros que cresce exponencialmente, e não há melhora do transporte público, não se cogita em metrô, mesmo de superfície, faz-se arremedo de mobilidade urbana.

As mazelas brasileiras, contudo, espraiam-se por todos os setores da vida nacional. O Senado comemorou o Dia Internacional de Luta contra o Trabalho Infantil. Comemorou, na verdade, um grotesco retrocesso. Em pleno século 21, o país retrocede no esforço contra o trabalho infantil, simplesmente porque entre nós esse tipo de exploração aumentou. O trabalho infantil, apesar de o governo não gostar que se mencione, é uma forma de escravidão, é o roubo da infância, é uma das mais medonhas formas de corrupção que o país desenvolveu. Muito maior que as corrupções visíveis e diariamente registradas e denunciadas pela imprensa, é a existência de milhões de meninos e meninas trabalhando, em vez de estarem estudando, e grande parte está na prostituição nas ruas e nas estradas.

Congressistas dão a entender que essa infância abandonada e deixada para trás, não participará do esforço de ajudar o país a se transformar em potência. O capital do futuro é o conhecimento e as crianças que trabalham só têm o corpo a oferecer. O Congresso precisa agir; deve abandonar os rapapés, os elogios gratuitos aos discursos das excelências e resolver os escândalos que estão corroendo o Brasil feito ferrugem. O Congresso deve examinar logo as boiadas dos senadores e enfrentar a corrupção que destrói a engrenagem do desenvolvimento nacional. Na realidade, está acomodado diante da tragédia brasileira e permanece inoperante diante dos poderes Executivo e Judiciário, que lhes retira o direito de legislar. Tornou-se irrelevante, transformou-se numa casa de escândalos e de discursos vazios, de conversas, sem causas pelas quais lutar.

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