
Filha do ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal, Marianna Fux tornou-se desembargadora do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro em março de 2016. Sua ascensão, pelo chamado “quinto constitucional” — dispositivo que reserva 20% das vagas do TJ a advogados indicados pela OAB —, ficou marcada por polêmica, articulações políticas e questionamentos sobre sua experiência profissional.
Disputa acirrada
A candidatura de Marianna foi anunciada em 2013, quando Luiz Fux começou a comunicar autoridades e lideranças do meio jurídico de que pretendia ver a filha no TJ. Governador à época, Sérgio Cabral foi o primeiro a saber. Pouco depois, a informação chegou ao então presidente da OAB-RJ, Wadih Damous.
A vaga no tribunal é uma das mais cobiçadas da carreira: salário-base de cerca de R$ 30 mil, benefícios que podem dobrar o rendimento e prestígio no meio jurídico. Advogados fazem campanhas intensas, exibindo currículos e redes de apoio. A presença de um ministro do Supremo no processo gerou desconforto desde o início.
Contestação na OAB
Para disputar, os candidatos precisavam comprovar ao menos dez anos de prática profissional. Marianna apresentou uma carta do advogado Sérgio Bermudes — amigo de longa data do pai — atestando que ela prestava consultoria no escritório desde 2003. Conselheiros apontaram que a documentação não trazia petições ou pareceres suficientes para todos os anos exigidos. Um grupo pediu a impugnação de sua candidatura, e a disputa chegou a ser suspensa pela OAB em 2014.
Quando o processo foi retomado em 2016, metade do conselho da Ordem havia sido renovada e a votação foi convocada com prazo curto. Ao final, Marianna ficou entre os seis nomes enviados ao TJ. Na sabatina, respondeu com segurança a perguntas sobre prerrogativas da advocacia e encerrou dizendo ter enfrentado “dois anos e meio de perseguição política”.
Influência e recorde de votos
No tribunal, Marianna contou com o apoio declarado do então presidente Luiz Zveiter. Mesmo com ausências em protesto de parte dos desembargadores, obteve a maior votação já registrada para um candidato a desembargador do TJ-RJ. Poucas horas depois, o governador Luiz Fernando Pezão confirmou a nomeação. Em seguida, a Assembleia Legislativa aprovou a concessão da Medalha Tiradentes, principal honraria do Parlamento fluminense.
Uma estreia discreta
Empossada na 25ª Câmara Cível, Marianna participou das primeiras sessões como observadora, ainda insegura para relatar processos, mas recebida com simpatia pelos colegas. Entre conselhos sobre o novo Código de Processo Civil — reformulado pelo próprio pai — e conversas informais, a novata foi se adaptando à rotina.
Símbolo de um sistema
A trajetória de Marianna Fux tornou-se, para críticos, um retrato de como redes de influência e compadrio ainda moldam carreiras no Judiciário brasileiro. Para defensores, representa o direito de qualquer advogado disputar as vagas previstas em lei. Entre polêmicas e recordes, sua chegada ao TJ-RJ ilustra a combinação de bastidores políticos e tradição corporativa que ainda marca o sistema de escolhas para tribunais de segunda instância no país.
Fonte: piauí




