TCEAM
Início Brasil Fintechs ligadas ao PCC impulsionaram fake news de Nikolas para barrar fiscalização...

Fintechs ligadas ao PCC impulsionaram fake news de Nikolas para barrar fiscalização da Receita

Foto: Recorte

A ofensiva contra a Receita Federal, marcada pela disseminação de informações falsas sobre uma suposta taxação do Pix, contou com apoio financeiro de fintechs investigadas por vínculos com o crime organizado.

Segundo apurações da Operação Carbono Oculto, essas empresas tinham interesse em impedir a implementação de uma instrução normativa que ampliaria o monitoramento de transações suspeitas no setor financeiro digital.


Fontes do Banco Central e da Receita Federal indicam que as fintechs impulsionaram a propagação de um vídeo do deputado Nikolas Ferreira (PL-MG), no qual ele afirmava que o governo planejava taxar o Pix. A gravação viralizou e ultrapassou 200 milhões de visualizações, gerando pressão política que levou à revogação da norma em janeiro de 2025. A medida visava incluir as fintechs no sistema e-Financeira, já obrigatório para bancos tradicionais, que obriga a comunicação de movimentações financeiras de CPFs e CNPJs ao Fisco.

De acordo com Dão Real, diretor do Sindifisco Nacional, a migração de recursos ilícitos para sistemas paralelos de pagamento criou uma “zona cega” no rastreamento da Receita.

“Em vez do controle preventivo, resta apenas a quebra de sigilo judicial, sempre posterior à fraude”, afirmou.

A Operação Carbono Oculto, deflagrada em 28 de agosto de 2025, cumpriu 350 mandados de busca e apreensão em oito estados, incluindo São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. As investigações apontam que lucros de fraudes no setor de combustíveis, estimados em R$ 52 bilhões entre 2020 e 2024, foram lavados por meio de fintechs e blindados em ao menos 40 fundos de investimento, com patrimônio total de R$ 30 bilhões. Uma única plataforma movimentou R$ 46 bilhões de forma não rastreável, funcionando como um “banco paralelo” para o Primeiro Comando da Capital (PCC). O esquema gerou prejuízo de R$ 8,6 bilhões em tributos sonegados e envolveu mais de mil postos de combustíveis, além de empresas como BK Bank e Reag.

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, anunciou que, a partir de agora, as fintechs terão o mesmo tratamento regulatório que os bancos tradicionais, fechando brechas exploradas pelo crime organizado.

Críticos apontam que o vídeo de Nikolas Ferreira não apenas espalhou desinformação, mas também beneficiou, de forma indireta, facções criminosas ao derrubar a medida de fiscalização. Parlamentares de oposição, como a deputada Duda Salabert, reforçaram nas redes sociais que as fake news facilitaram fraudes bilionárias.

O caso expõe como a combinação de desinformação política e interesses econômicos ocultos pode enfraquecer políticas públicas e fortalecer esquemas criminosos. Para especialistas, o episódio reforça a necessidade de regulação mais rígida sobre o setor fintech para combater lavagem de dinheiro e sonegação fiscal.

Fonte: Pinel Político

Artigo anteriorMetalúrgicos do Amazonas conquistam até 9,24% de reajuste sendo o maior piso do Brasil
Próximo artigoPresidente da CDH da Câmara pede prisão preventiva de Nikolas Ferreira no caso das fintechs

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Correio da Amazônia
Visão Geral de Privacidade

Este site usa cookies para que possamos oferecer a melhor experiência de usuário possível. As informações de cookies são armazenadas em seu navegador e executam funções como reconhecê-lo quando você retorna ao nosso site e ajudar nossa equipe a entender quais seções do site você considera mais interessantes e úteis.