TCEAM
Início Colunas Fundo Amazônia: mais de R$ 3 bilhões aplicados até 2017 – por...

Fundo Amazônia: mais de R$ 3 bilhões aplicados até 2017 – por Osíris Silva

Escritor e economista Osíris Silva/Foto: Divulgação

O Fundo Amazônia, que tem por objetivo o financiamento de ações de Redução de Emissões Provenientes do Desmatamento e da Degradação Florestal (REDD+), foi submetido à consideração internacional pelo Brasil na Conferência das Partes (COP 13), realizada em Bali, em 2007, no âmbito da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima (UNFCCC, na sigla em inglês), e teve sua criação autorizada por meio do Decreto 6.527/2008, da Presidência da República. Recebe doações voluntárias para aplicação não reembolsável em ações de prevenção, monitoramento e combate ao desmatamento, além de promover a conservação e o uso sustentável da Amazônia Legal. Além disso, até 20% dos recursos do Fundo podem ser destinados ao desenvolvimento de sistemas de monitoramento e controle do desmatamento no restante do Brasil e em outros países com florestas tropicais.

A estrutura gerencial do Fundo é de responsabilidade do Comitê Orientador do Fundo Amazônia (COFA), cuja atribuição engloba determinar suas diretrizes e acompanhar os resultados obtidos. É um comitê tripartite, presidido pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA), com 23 representações, em três blocos: Governo Federal, governos estaduais e sociedade civil. Também conta com um Comitê Técnico do Fundo Amazônia (CTFA) composto por especialistas renomados e com a atribuição de atestar a quantidade de redução das emissões de carbono oriundas de desmatamento calculada pelo Ministério do Meio Ambiente.


A gestão do Fundo é exercida pelo BNDES, responsável pela captação e aplicação de recursos, acompanhamento e monitoramento das ações e dos projetos apoiados, pela prestação de contas e comunicação dos resultados obtidos “de forma contínua e transparente”, além de exercer a secretaria executiva do COFA. Até o fim de 2017, o Fundo Amazônia recebeu R$ 3,12 bilhões em doações, sendo 93,3% provenientes do governo da Noruega, 6,2% do governo da Alemanha, por meio do KfW Entwicklungsbank, e 0,5% da Petrobras.

Escritor e economista Osíris Silva/Foto: Divulgação

O Fundo Amazônia tem como objetivo central apoiar projetos em ações de prevenção, monitoramento e combate ao desmatamento e de promoção da conservação e do uso sustentável da Amazônia Legal, segundo o Decreto 6.527/08, nas seguintes áreas temáticas: a) gestão de florestas públicas e áreas protegidas; b) controle, monitoramento e fiscalização ambiental; c) manejo florestal sustentável; d) atividades econômicas desenvolvidas a partir do uso sustentável da vegetação; e) Zoneamento Ecológico e Econômico (ZEE), ordenamento territorial e regularização fundiária; f) conservação e uso sustentável da biodiversidade; e VII. recuperação de áreas desmatadas.

Segundo o Relatório de 2017, no período junho de 2009-dezembro de 2017, o Fundo Amazônia aprovou colaboração financeira a 95 projetos, no valor total de R$ 1,56 bilhão, de cujo montante foram desembolsados R$ 876,3 milhões. Do total de projetos aprovados, 52 são de iniciativa do terceiro setor (organizações sem fins lucrativos e não governamentais, que têm como objetivo gerar serviços de caráter público), 21 apresentados por estados, 7 projetos de municípios, 8 projetos de responsabilidade da União, 1 projeto internacional e 6 projetos de responsabilidade das universidades. Em termos de valor, do total de R$ 876.325.165,74, aproximadamente 25,5% desse montante (R$ 223.760.804,23) foram desembolsados em 2017, o que representa um acréscimo de 67% nas aplicações comparativamente a 2016. Dos recursos liberados em 2017, quase a metade (48%) foi destinada a projetos da União e 39% canalizados a projetos do terceiro setor. Os desembolsos para projetos de governos estaduais representaram tão somente 10% do total. Do número de projetos beneficiados, o Pará aprovou 17, o Amazonas apenas 9. Ao que se pode depreender, o poder público transferiu a ONGs, algumas de origem duvidosa, a competência da gestão sobre combate ao desmatamento, preservação, conservação e uso sustentável da Amazônia.

Manaus, 27 de maio de 2019.

Artigo anteriorCantor de Jenifer morre em acidente aéreo
Próximo artigoOs enviados de Deus – por Gaudêncio Torquato

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Correio da Amazônia
Visão Geral de Privacidade

Este site usa cookies para que possamos oferecer a melhor experiência de usuário possível. As informações de cookies são armazenadas em seu navegador e executam funções como reconhecê-lo quando você retorna ao nosso site e ajudar nossa equipe a entender quais seções do site você considera mais interessantes e úteis.