
“Empréstimo de R$ 2.500 realizado. Não foi você? Fale com a central.”
“Compra de R$ 1.700 aprovada. Não reconhece? Ligue para cancelar.”
Essas são mensagens falsas disparadas por golpistas que usam antenas clandestinas para aplicar golpes via SMS. O objetivo é gerar pânico e induzir vítimas a clicar em links ou ligar para centrais falsas, geralmente usando nomes de bancos, empresas ou programas de fidelidade.
Esses equipamentos, embora não sejam iguais às torres de telefonia convencionais, funcionam como transmissores capazes de identificar todos os celulares ao redor e forçar o recebimento de mensagens.
Segundo a Anatel, uma única antena pode enviar mais de 100 mil SMS por dia e atingir aparelhos num raio de até 2 km.
Como o golpe funciona
📍 Criminosos alugam apartamentos em andares altos de prédios com grande circulação de pessoas.
📦 Instalam uma caixa preta (transmissor), ligada a uma pequena antena e a um notebook com software de disparo de mensagens.
📡 O dispositivo “sequestra” os celulares próximos por alguns segundos, o suficiente para enviar os SMS fraudulentos.
“A estrutura é improvisada, mas eficaz. Eles miram regiões com maior poder aquisitivo”, explica Marcelo Scacabarozi, gerente regional da Anatel em São Paulo.
Enquanto os aparelhos estão conectados à antena falsa, os usuários ficam vulneráveis — e não há o que possam fazer. Além disso, as transmissões ilegais causam quedas de sinal e falhas em chamadas.
As operadoras detectam essas interferências e alertam a Anatel, que inicia a busca pelas antenas com equipamentos como analisadores de espectro e o chamado Drive Test.

Casos recentes
Em 2025, cinco antenas falsas foram desativadas na capital paulista. Em janeiro, um homem foi preso por disparar milhares de mensagens sobre CNHs suspensas. Em outros casos, os criminosos já haviam abandonado os imóveis.
O caso mais recente, em julho, envolveu uma antena no 13º andar de um prédio próximo ao aeroporto de Congonhas. Mais de 4 mil SMS foram enviados do local.
Há indícios de que o golpe esteja se espalhando. Denúncias semelhantes chegaram à Anatel em Campinas, Santos e Guarulhos.
“Acreditamos que esse modelo esteja presente em várias cidades grandes, embora ainda não tenhamos encontrado antenas fora da capital”, diz Scacabarozi.
Todos os casos têm em comum o teor das mensagens — envolvendo transações bancárias e compras — e a montagem rudimentar dos equipamentos. Para a Anatel, há indícios de atuação de uma organização criminosa.
Em 2024, a Polícia Civil apurou que ao menos cem pessoas perderam dinheiro com o golpe. Em um caso, a antena foi instalada em um carro usado para circular por regiões movimentadas da cidade.
O motorista, preso à época, confessou que recebia R$ 1.000 por semana para dirigir por bairros como Jardins, Itaim Bibi, Pinheiros e Tatuapé.
Fonte: g1




