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Guiada pelos rios, Tefé se consolida como polo de desenvolvimento sustentável

Foto: Divulgação

Com sua economia norteada pelo ciclo de cheia e vazante dos rios, o município de Tefé (a 523 quilômetros de Manaus) se mostra um dos principais polos de bioeconomia no interior do Amazonas, segundo o mapeamento do programa EcoAm, que fomenta ecossistemas de impacto na Amazônia. A pesquisa detectou 30 instituições públicas e organizações de fomento, além de mais de 25 associações, cooperativas e negócios comunitários ativos.

De acordo com o relatório “Bioeconomia e Territórios da Amazônia”, a localidade se destaca pelas cadeias produtivas ligadas ao manejo e beneficiamento de pescado, extrativismo e produção de farinha, coleta de óleos vegetais, artesanato de fibras naturais e sementes.


Um dos destaques apresentados pelo mapeamento está na Federação de Manejadores e Manejadoras de Pirarucu de Mamirauá (Femapam), que possui uma indicação geográfica do Instituto Nacional de Propriedade Industrial (Inpi) para pirarucu manejado. A associação é presidida por Cleissiane Souza, primeira mulher à frente da federação, a qual informou que já há quatro empresas credenciadas junto à Femapam em Tefé.

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Segundo ela, uma das metas da federação atualmente é conseguir uma parceria para fazer o processamento do pirarucu e vender produtos que hoje não podem ser plenamente aproveitados.

“A gente ainda tem essa necessidade de local para fazer esse processamento, então ainda perdemos esses recursos que tem compradores que se interessam, mas a gente ainda não tem uma estrutura, um treinamento para manuseio, por exemplo, uma oficina para manusear como fazer esse beneficiamento”, disse.

Outro desafio apresentado pela presidente da Femapam é a falta de embarcações adequadas para receber e manter a qualidade do produto manejado, algo frequentemente exigido pelos compradores. Em um dos casos, a empresa fechou parceria para adquirir 600 peixes, mas somente 190 puderam ser capturados. Ainda assim, a federação busca novos clientes para aumentar a cadeia da bioeconomia local.

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“Estamos procurando arranjos para compradores para que a gente possa também expandir, porque como falei, a gente tem essas empresas, mas pouca produção. Ainda estamos conseguindo negociar, mas queremos procurar de fato outros mercados mesmo, pessoas que tenham responsabilidade na questão, principalmente no pagamento da produção, para que outros grupos também possam ser contemplados com melhoria de preço”, enfatizou.

O trabalho da Femapam ocorre por meio de uma parceria estratégica com o Instituto Mamirauá, que articulou a indicação geográfica do pirarucu pescado na Reserva Mamirauá em 2021, beneficiando nove municípios, incluindo Tefé. Além do pirarucu manejado da federação, outros destaques são a indicação geográfica da farinha de Uarini obtida pela Associação de Produtores Rurais de Uarini (Apru), além do trabalho da Associação de Produtores Agroextrativistas da Flona de Tefé (Apafe), responsável pela marca coletiva Flona Tefé e pela produção de farinha na localidade.

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Crescente

Segundo o relatório do EcoAm, Tefé vem atraindo uma série de investimentos nos últimos anos graças às iniciativas de bioeconomia, incluindo linhas de crédito como o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) e o Programa Prioritário de Bioeconomia (PPBio) realizado pela Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa).

Recursos oriundos da Agência de Fomento do Estado do Amazonas (Afeam) e da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam) também foram direcionados para apoiar pequenos produtores e pesquisadores em Tefé. A publicação avalia que, embora as verbas ainda sejam modestas, apontam para “um novo ciclo que une ciência, floresta e inclusão econômica”.

O documento aponta que o desafio para o futuro da bioeconomia agora está na integração das políticas públicas, ainda dispersas, para garantir que o crédito e as tecnologias necessárias cheguem de forma descomplicada às comunidades, que não só conseguem manter a preservação ambiental como também mantêm um ecossistema econômico crescente.

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Outras organizações que integram as comunidades e fortalecem a rede de bioeconomia são a Associação de Produtores Agro extrativistas da Floresta Nacional de Tefé (Apafe), a Associação Mãe da Reserva Mamirauá (Amurmam), a Associação Mãe da Reserva Amanã (Camura) e a Cooperativa Agrícola Indígena Nova Esperança – COOINE.

“Tefé é um lugar onde a bioeconomia pode se tornar um verdadeiro motor de desenvolvimento econômico e social no Brasil. Tem uma floresta rica e preservada e populações tradicionais que convivem e entendem esse ambiente. Há um grande trabalho a ser feito de organizar e potencializar a produção, o que já vem sendo feito por diversas organizações. Nossa intenção é contribuir para que o pescado e a farinha, por exemplo, permitam a melhoria do IDH, escolaridade e renda da população sem destruir a mata e os rios que ali existem”, afirmou o gerente do programa EcoAm, Washington Silva.

Resultados

O relatório “Bioeconomia e Territórios da Amazônia” é uma iniciativa desenvolvida pelo Programa EcoAm, em atividade desde 2024 e executado pelo Impact Hub Manaus em parceria com o BID Lab, laboratório de inovação do Banco Interamericano de Desenvolvimento, através do Programa Amazônia Sempre, o Instituto Meraki, Fundo Vale e o Sebrae Amazonas. O programa escolheu os territórios de Ji-Paraná (RO), Rio Branco (AC) e Tefé (AM), em expansão para os municípios de Tabatinga (AM) e Marabá (PA), para a realização de seu projeto piloto.

A iniciativa já apoiou 17 negócios da bioeconomia na Amazônia e destinou R$ 1 milhão em investimentos por meio de duas edições do programa de aceleração Lab de Impacto. O texto completo está disponível gratuitamente aqui https://impact-hub-manaus-1.rds.land/mapeamento-ecoam.

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