Imposto família – por Flávio Lauria

Flávio Lauria é Administrador de Empresas e Professor Universitário

Desde que me entendo como gente, sempre tive a perspectiva de que o mundo não suportaria o numero de pessoas que nascem, sem a menor condição e perspectiva de viver pelo fato de terem sido geradas por um ato sexual somente, mas sem saber como iriam sobreviver. Em um recente embate filosófico em uma confraria com amigos, levantou-se a eterna questão de como erradicar a pobreza no Brasil, por meios perenes, renunciando ao esquema greco-romano de dar pão e circo para distrair o povo.

Quando me manifestei a favor do estímulo à esterilização em massa e à punição de pessoas com mais de dois filhos, fui atacado, sob o argumento de que o ser humano é livre, inclusive para procriar e multiplicar sua própria miséria, se assim o desejar. Minha lógica partiu da premissa simplificada de que é insustentável a perseguição do bem-estar social para uma população que cresce exponencialmente, dobrando a cada 20 e poucos anos.

Seguindo a reflexão iniciada, adverti que precisamos de uma ação inversa ao que ocorre nos países escandinavos, onde há incentivo ao crescimento das famílias já que o crescimento populacional é negativo. No Brasil, argumentei, deveria haver um “imposto família”. Quem desejasse ter vários filhos deveria pagar caríssimo, desde que o estado proporcionasse gratuitamente o acesso a todos os métodos possíveis de esterilização.

Reforcei meu posicionamento, tachado de radical, com a assertiva de que o imposto sobre o excesso de filhos, no Brasil, já ocorre, com a pobreza saltando aos olhos de qualquer um que ande dez quilômetros em linha reta em qualquer capital. Tal punição acaba se tornando uma política pública de disseminação de carestia, para a venda de promessas em anos eleitorais como o atual.

A necessidade de um controle demográfico em países com alto grau de pobreza, cujo apogeu ocorreu décadas atrás, com Indira Gandhi trocando fertilidade indiana, por rádio a pilha, permanece. A educação, sempre colocada como única solução admissível, não se sustenta por si só, especialmente se feitos os cálculos com o número de escolas, professores, merenda e transporte escolares necessários a um povo que se reproduz descontroladamente. Argumentei não se admitir eugenia grega, fascista ou maoísta, mas de controle em todas as esferas sociais, por puro estado de necessidade. No Brasil de hoje, já se paga o crescimento demográfico descontrolado pela via da eterna insuficiência de recursos públicos, violência, insegurança, falta de escola, saúde, saneamento etc.

Direcionar recursos, defendo, passa pelo controle da natalidade. O argumento de que o ser humano é livre para escolher e procriar não vale para quem tem recursos financeiros e naturais escassos. Caso se perpetue a inconsequência brasileira, com um povo que acha que tudo dá em árvore, onde comem dois, comem dez, e outras reflexões irracionais, a carestia continuará se alastrando, assim como os políticos assistencialistas, sem exceção de partido ou credo.

Felizmente, para alívio geral dos interlocutores, o meu controle de natalidade acabou condenado, por supostamente não encontrar qualquer eco no povo brasileiro, ainda sedento de se manter livre, inclusive para promover o crescimento descontrolado em meio à miséria. Mas infelizmente, gostaria que isso fosse pensado com mais espirito público.

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