TCEAM
Início Brasil Lula quer ‘frente da soberania’ ao Sul, mas países de direita são...

Lula quer ‘frente da soberania’ ao Sul, mas países de direita são empecilho

Foto: Recorte

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva tenta articular uma frente sul-americana em defesa da soberania regional, mas o avanço de governos de direita no continente tem se mostrado um obstáculo relevante para a estratégia do Palácio do Planalto.

A proposta do governo brasileiro é reforçar a integração política e diplomática da América do Sul e criar um discurso comum contra interferências estrangeiras. A iniciativa ganhou força após a intervenção dos Estados Unidos na Venezuela, que resultou na retirada de Nicolás Maduro do poder e reacendeu o debate sobre soberania na região.


Nos bastidores, o Itamaraty defende que a cooperação regional seria um movimento de “ganha-ganha”, independentemente da orientação ideológica dos governos. Ainda assim, diplomatas reconhecem que a ação norte-americana acabou sendo interpretada sob a ótica da polarização política, aprofundando divisões entre países vizinhos.

As divergências ficaram evidentes na última cúpula do Mercosul, realizada em dezembro, em Foz do Iguaçu (PR). Na ocasião, o presidente da Argentina, Javier Milei, confrontou publicamente o discurso de Lula e defendeu uma eventual intervenção dos EUA na Venezuela, posicionamento que o isolou momentaneamente, mas que passou a encontrar eco em outras lideranças da região.

Além de Milei, os presidentes do Uruguai, Yamandú Orsi, e do Paraguai, Santiago Peña, adotam uma linha mais alinhada à direita, embora em tom menos agressivo. Orsi, inclusive, assinou com Brasil, Colômbia e México um documento manifestando preocupação com a intervenção norte-americana.

O cenário se tornou ainda mais complexo após as últimas eleições no continente. Em outubro, Rodrigo Paz venceu na Bolívia, encerrando duas décadas de governos de esquerda iniciadas com Evo Morales. Já em dezembro, o Chile elegeu José Kast, derrotando o então presidente Gabriel Boric.

No caso chileno, o governo brasileiro vê Kast com maior cautela. Ele chegou ao poder com discurso conservador e apoio de grupos da extrema direita, que celebraram a vitória exibindo imagens do ex-ditador Augusto Pinochet.

Apesar do cenário adverso, a avaliação do governo Lula é de que a maioria dos novos líderes tende a adotar posturas mais pragmáticas do que ideológicas. A orientação do Itamaraty é insistir no diálogo e defender que a estabilidade política da Venezuela é fundamental para toda a região, inclusive como forma de evitar novas intervenções externas além da retirada de Maduro.

Fonte: UOL

Artigo anteriorDesfolhar do calendário – por Flávio Lauria
Próximo artigoAutor que eternizou o Leblon e as Helenas nas novelas, Manoel Carlos morre aos 92

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Correio da Amazônia
Visão Geral de Privacidade

Este site usa cookies para que possamos oferecer a melhor experiência de usuário possível. As informações de cookies são armazenadas em seu navegador e executam funções como reconhecê-lo quando você retorna ao nosso site e ajudar nossa equipe a entender quais seções do site você considera mais interessantes e úteis.