Marina Silva não é café-com-leite – por Isabela Abes Casaca


Aquele é café-com-leite…

Lembra-se de quando você era uma criança e sua galera se reunia pra brincar? Quase sempre vinha junto aquele irmãozinho ou priminho caçula, então os maiores determinavam pra pegar leve com os pequeninos, afinal eles eram “café-com-leite”.

MARINA SILVA
Marina, Marina…

Pois é, Marina Silva definitivamente não é café-com-leite!

Entrou no páreo presidencial por obra do dr. Destino e reconfigurou um quadro que estava praticamente definido e ganho, provocando inevitável temor nos antigos protagonistas do quadro eleitoral. Não é atoa, com o intuito de desacelerar seu crescimento, que estejam utilizando todo tipo de falácias, boatos e propagandas amedrontadoras.

O autor Luis Fernando Veríssimo declarou que as comparações da candidata com Jânio Quadros e Fernando Collor de Mello são gratuitas. Claro, se ela for de fato eleita entrará para o rol dos presidentes ímpares, porém não significa que tenha fado similar aos infelizes exemplos. O futuro é um mistério, o escritor Victor Hugo nos ensina: “O futuro é um senhor de muitos nomes. Para os fracos é o inalcançável. Para os temerosos, o desconhecido. Para os corajosos é a oportunidade.”

É com esse sentimento de “há uma oportunidade em nossas mãos” que muitas pessoas estão motivadas a votar em Marina Silva, há uma oportunidade de promover alguma mudança no nosso cenário devido a atipicidade da candidata em questão.

E convenhamos, a tática que está sendo usada para descreditá-la é digna do Plano Cohen. Para aqueles que não se lembram do que foi o referido plano, uma breve explicação: Trata-se de um documento (falso) utilizado pelo governo federal de 1937, com o objetivo de aterrorizar a população e justificar um golpe de Estado que permitiria a Getúlio Vargas perpetuar-se na Presidência, ocasionando o Estado Novo, um período histórico de autoritarismo. O resto é história…

Sinceramente não creio que algo similar vá acontecer. Porém é inevitável perceber, devido aos métodos empregados, que há certa dificuldade dos “políticos profissionais” de entrar num debate e conviver com o contraditório em se tratando da “amadora” Marina Silva, precisando frequentemente recorrerem a sofismas e a campanha de propagação do medo. É quase um vale tudo…

Mas… Será que vale mesmo tudo por uma esmeralda? Será que vale mesmo tudo por um cargo eletivo? Será que vale mesmo tudo pela faixa presidencial? E os princípios? E a virtude? Na Hélade, o berço da democracia, Aristóteles já apontava a virtude como fator fundamental para uma próspera política. Repensemos as maneiras atuais empregadas no período eleitoreiro…

É normal existirem debates durante uma eleição, o que não deveria ser normal, todavia infelizmente se normalizou, é a corrida por desmoralizar os concorrentes a todo custo, sem medir consequências e sem o compromisso sincero com a fidedignidade. Da mesma forma, é natural haverem dúvidas, a fim de elucidar e iluminar as questões que suscitam mais indagações Marina lançou a hastag #MarinaDeVerdade e o espaço virtual: Marina de Verdade.

Continuo dizendo que Marina não é café-com-leite estabelecendo um paralelo com a velha política homônima da República Oligárquica, cujo objetivo era a permanência no poder nacional das oligarquias já cristalizadas e incrustadas, se preocupando em atender apenas aos interesses de uma pequena parcela dos nacionais e não de toda pluralidade de brasileiros.

Dentre as opções, a candidata do destino é quem nesse momento histórico está fora do eixo polarizado, tanto é que, quem está na direita afirma que ela é de esquerda, e quem está na esquerda afirma que ela é de direita. No fim das contas Marina não parece caber nos rótulos. Revelando preocupação em não desagregar, mas sim em unir. Se mostrando disposta a governar para uma nação plural e diversa, explicitando que é possível a convivência e o diálogo respeitoso entre as diversas formas de compreensão.

Não se trata de sebastianismo, messianismo, ou promoção de salvadores da pátria, trata-se de promover mudanças com responsabilidade, compromisso e respeito ao povo brasileiro. Não deixo de reconhecer e expressar minha gratidão aqueles que já ocuparam a cadeira presidencial, cada uma fez o que pode, deixando uma contribuição. Porém o tempo agora é outro, não é o instante de retroceder ou sustentar o status quo que já conhecemos de cor, é o momento de ofertar uma oportunidade ao novo.

Sinto que Marina Silva é capaz de nos fazer sentir a mesma esperança sentida no momento da promulgação da Constituição Federal de 1988, a mesma esperança que motivou Ivan Lins a compor a música Novo Tempo, a esperança que uma vez ou outra nos visita na calada da noite escura da alma e faz amanhecer… A esperança que nos motiva a sermos melhores!

Milton Nascimento que perdoe minha liberdade poética mas…

“Mas é preciso ter força, é preciso ter raça
É preciso ter gana sempre
Quem traz no corpo a marca
Marina, Marina, mistura a dor e a alegria
Mas é preciso ter manha, é preciso ter graça
É preciso ter sonho sempre
Quem traz na pele essa marca
Possui a estranha mania de ter fé na vida”

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[NOTA] As opiniões expressas pertencem a sua autora: ISABELA ABES CASACA.

[author image=”http://oi59.tinypic.com/md2p28.jpg” ]Isabela Abes Casaca é graduada em Direito e integrante do movimento Novo Ágora. Considera-se escritora amadora.[/author]

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