
“É difícil falar porque dói demais. Meu filho estava no sentido correto, enquanto o irresponsável vinha na contramão. Se tivesse iluminação, eles poderiam ter se visto e meu filho não teria morrido.”
O desabafo é de Maria Gomes, mãe de Richard Gomes, de 16 anos, morto em um acidente de trânsito na rodovia AM-070, no quilômetro 8, em Iranduba, região metropolitana de Manaus. A declaração foi feita durante uma manifestação realizada no último fim de semana por moradores do Conjunto Maria Zeneide, comunidade localizada na entrada da área onde seria implantada a Cidade Universitária.
Segundo moradores, Richard estava na garupa de uma motocicleta conduzida por Vitória, que permanece internada em estado grave. O acidente aconteceu durante a noite, após a colisão com um carro que trafegava na contramão da pista.
Com faixas e pedidos de providências, cerca de 40 moradores participaram do ato para cobrar melhorias na segurança do trecho. Para Maria, a mobilização é uma tentativa de evitar que outras famílias passem pela mesma situação.
“Eu quero justiça e providências. Não quero que outra mãe receba a notícia que eu recebi. Meu filho tinha sonhos, tinha uma vida pela frente”, afirmou.

Moradores denunciam falta de iluminação e veículos na contramão
Durante a manifestação, moradores relataram que o problema da circulação de veículos na contramão é frequente no local, mesmo com a existência de um retorno próximo ao trecho.
Segundo eles, a falta de iluminação aumenta o risco principalmente no período noturno, quando trabalhadores e estudantes precisam passar pela área.
“Tem gente que volta para casa à noite em uma escuridão completa. Nós pedimos iluminação e sinalização há anos, mas as providências só aparecem depois que acontece uma tragédia”, afirmou um morador que participou do protesto.
Associação aponta histórico de acidentes no trecho
De acordo com a associação de moradores do Conjunto Maria Zeneide, somente neste ano foram registrados 10 acidentes relacionados a veículos que trafegavam na contramão no trecho onde Richard morreu. A entidade afirma que duas vítimas continuam hospitalizadas.
Os moradores afirmam que, desde 2024, tentam buscar soluções junto à Prefeitura de Iranduba, solicitando iluminação pública, reforço na sinalização e fiscalização permanente por agentes de trânsito.
Após o acidente, agentes municipais passaram a atuar na área, mas, segundo a comunidade, a presença ocorre apenas em determinados horários e não contempla os períodos de maior circulação, principalmente durante a noite.

“Não queremos promessa, queremos segurança”, diz comunidade
A associação informou que novas manifestações devem ser realizadas para pressionar as autoridades por medidas definitivas.
“Meu filho não vai voltar, mas eu vou lutar para que nenhuma outra mãe tenha que passar por isso. Prefeito Augusto Ferraz, olhe para a nossa comunidade. A gente não quer promessa, não quer favor. Queremos iluminação, segurança e respeito”, disse Maria Gomes.




