TCEAM
Início Amazônia Mineração marca novo relacionamento entre Estado e União, no Pará

Mineração marca novo relacionamento entre Estado e União, no Pará

Fruto de dois anos de estudos, com a participação do Poder Público, do setor produtivo, do terceiro setor e de especialistas acadêmicos, o Plano Estadual de Mineração 2030, lançado este mês pelo governo do Pará, traça um perfil da atividade mineradora no Pará, propõe diretrizes e ações para um período de 15 anos, e um novo relacionamento do Estado com as empresas mineradoras e a União. FOTO: AGÊNCIA VALE
Fruto de dois anos de estudos, com a participação do Poder Público, do setor produtivo, do terceiro setor e de especialistas acadêmicos, o Plano Estadual de Mineração 2030, lançado este mês pelo governo do Pará, traça um perfil da atividade mineradora no Pará, propõe diretrizes e ações para um período de 15 anos, e um novo relacionamento do Estado com as empresas mineradoras e a União. FOTO: AGÊNCIA VALE
Fruto de dois anos de estudos, com a participação do Poder Público, do setor produtivo, do terceiro setor e de especialistas acadêmicos, o Plano Estadual de Mineração 2030, lançado este mês pelo governo do Pará, traça um perfil da atividade mineradora no Pará, propõe diretrizes e ações para um período de 15 anos, e um novo relacionamento do Estado com as empresas mineradoras e a União. FOTO: AGÊNCIA VALE

A exploração mineral, que ainda é um entrave para o desenvolvimento econômico do Pará, pode ser a melhor saída para corrigir a contradição existente em um Estado continental, com um imenso potencial de riquezas naturais, mas que ainda se defronta com a pobreza, em grande parte de seu território, e as desigualdades sociais. Inédito no País, o Plano Estadual de Mineração do Pará, lançado este mês pelo governo do Estado, chega com a missão de romper esse círculo. “É inaceitável que a 12ª economia do País gere a terceira pior renda per capita do Brasil”, ressalta o governador do Pará, Simão Jatene.

Fruto de dois anos de estudos, com a participação do Poder Público, do setor produtivo, do terceiro setor e de especialistas acadêmicos, o Plano Estadual de Mineração 2030 traça um perfil da atividade mineradora no Pará, propõe diretrizes e ações para um período de 15 anos, e um novo relacionamento do Estado com as empresas mineradoras e a União.


“Cerca de 2 milhões de pessoas mal têm o que comer neste imenso território, assentado sobre grandes jazidas de minério, cuja exportação torna o Pará protagonista do equilíbrio financeiro brasileiro”, afirma o governador, para quem é preciso “converter esse potencial mineral fantástico em meio efetivo para reduzir o ainda elevado índice de pobreza do Pará”.

O Plano Estadual indica caminhos seguros para o Estado avançar na exploração do subsolo. É no setor mineral, por exemplo, que reside um dos maiores problemas fiscais enfrentados pelo Pará: a Lei Kandir, que já subtraiu do Estado cerca R$ 20 bilhões com a desoneração do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços).

Na foto: O vice-governador Helenilson Pontes e a secretária de Indústria Comércio e Mineração, Maria Amélia Enriquez (d). FOTO: FÁBIO COSTA/ AG. PARÁ
Na foto: O vice-governador Helenilson Pontes e a secretária de Indústria Comércio e Mineração, Maria Amélia Enriquez (d). FOTO: FÁBIO COSTA/ AG. PARÁ

Governabilidade
Enquanto busca no Congresso Nacional a revisão do modelo de distribuição do bolo fiscal, o Pará trabalha para superar outros entraves. “Precisamos agir com inteligência. A estratégia do governo do Estado é buscar soluções que estão no nosso horizonte de governabilidade”, diz o governador.

Para isso, o Pará tem de consolidar a governança sobre seu território, com mais de 1 milhão e 200 mil quilômetros quadrados. “Nenhum Estado sofre tão brutalmente o processo de intervenção quanto o Pará. Cerca de 66% do nosso território são utilizados para fins especiais”, ressalta o vice-governador Helenilson Pontes, ao se referir às reservas ambientais, terras indígenas, comunidades quilombolas e províncias minerais, que estão sob o domínio da União. “Não há governança sobre mais da metade do Estado”, reitera.

O Plano de Mineração devolve ao Estado o poder de interferir na exploração do subsolo, de onde são retirados anualmente quase 14 bilhões de dólares em ferro, bauxita, caulim, manganês, entre outras commodities, sem a devida compensação financeira.

“Há 20 anos, exportávamos por volta de US$ 1 bilhão em minérios e metais. Hoje, exportamos US$ 13,8 bilhões. Há 20 anos, estes bens contribuíam com 16% do ICMS arrecadado pelo Estado. Hoje, a contribuição desses mesmos bens, com a produção 14 vezes maior, declinou para apenas 3% do ICMS”, destaca Simão Jatene.

O Plano de Mineração não acaba com o problema fiscal, mas projeta a capacidade de produção e a extensão das perdas para um cenário futuro. “É a mão do Estado em um setor que nunca lhe foi permitido alcançar”, declara Helenilson Pontes.

Estratégias
Até 2011, o governo do Estado sequer sabia quantas empresas mineradoras atuavam no território paraense. Naquele ano, foi recriada a Secretaria de Estado de Indústria, Comércio e Mineração (Seicom), com o objetivo de acompanhar a atividade mineradora e direcionar os resultados ao combate à pobreza e às desigualdades.

Em março de 2012, a Seicom criou o Cadastro Estadual de Recursos Minerais, que reuniu todas as informações relativas à atividade de mineração no Pará. “Passamos a exercer um controle sobre o setor. A partir do Cadastro, sabemos quais são as empresas que atuam no Pará, onde estão, o que exploram, quantas pessoas empregam, quanto faturam etc. Sem informação, não há como definir políticas públicas”, explica a economista Maria Amélia Enriquez, doutora em Desenvolvimento Sustentável e titular da Seicom. Em seguida, o governo criou a Taxa Mineral, transformada em Lei Estadual, com apoio unânime do Poder Legislativo e da Federação das Indústrias do Pará (Fiepa).

A iniciativa do governo ainda está sendo contestada pelas empresas no Judiciário. Enquanto não sair a decisão da Justiça, as mineradoras são obrigadas a pagar ao Estado cerca de R$ 300 milhões por ano, para explorar o subsolo paraense.

Vanguarda
Segundo o secretário especial de Desenvolvimento Econômico e Incentivo à Produção, David Araújo Leal, o Plano de Mineração consolida a estratégia iniciada com a criação da Seicom, do Cadastro e da Taxa, e coloca o Pará na vanguarda da gestão sobre os recursos minerais. “É o primeiro Estado a criar um plano com tal profundidade, que analisa o cenário dos próximos 15 anos neste setor”, reitera David Leal.

Segundo ele, no Plano “o setor mineral é analisado em todas as etapas, desde a pesquisa e a prospecção até a extração, beneficiamento e transformação mineral. O Plano traz uma visão realista sobre o presente, e diretrizes claras sobre o futuro desse potencial”.

“O Pará está de parabéns e, certamente, será copiado por outros Estados da Federação”, afirma o engenheiro Telton Elber Corrêa, secretário adjunto de Geologia, Mineração e Transformação Mineral, do Ministério das Minas e Energia. Ele representou o ministro Edson Lobão no lançamento do Plano de Mineração, e mostrou entusiasmo com a iniciativa. Na avaliação de Telton Elber Corrêa, “o Pará está dando um exemplo ao País ao lançar as bases da gestão sobre a atividade mineradora, no sentido de transformar as riquezas do seu subsolo em benefícios para a sociedade”.

Aprendendo com o Pará
O vice-governador Helenilson Pontes foi o mentor da Taxa Mineral e atua como interlocutor do governo estadual no Ministério das Minas e Energia e no Congresso Nacional, quando o assunto é a exploração do subsolo.

Em Brasília (DF) acontece o debate sobre o Marco Regulatório da Mineração, que normatiza o setor e cria segurança jurídica para futuros investimentos, além de rever as bases da remuneração das Unidades Federativas pela extração mineral. Esse instrumento poderá representar um incremento de até 300% na arrecadação dos royalties minerais.

Helenilson Pontes acredita que o Plano Estadual de Mineração, ao resgatar o controle sobre a atividade no Pará, fortalece o Estado em futuros embates sobre o assunto.

Com o Plano de Mineração, diz o vice-governador, o Estado passa a conhecer o que acontece no seu território. O Plano, acrescenta, é parte de um grande processo para estabelecer a governança sobre o setor mineral.

“A forma como vamos tratar dessa atividade é que vai dizer o que seremos em 10 ou 15 anos. Sem governança, isso não é possível”, reitera.

Esse controle, diz Helenilson Pontes, pode ser feito sem fazer concessões e respeitando a União. “As mineradoras nunca se preocuparam em conversar com os agentes locais, porque toda a atividade mineral é regulamentada pela autoridade federal. O que nós estamos fazendo com a Seicom, o Cadastro, a Taxa e, agora, com o Plano, não é afrontar o governo e nem seduzir as empresas. Nós estamos dizendo: vocês ainda precisam das autoridades federais, porque isso é norma constitucional. Mas agora vocês têm de conversar com as autoridades estaduais e as comunidades locais, se cadastrar na Seicom, pagar a Taxa Mineral e observar as diretrizes do Plano, como determina a Lei”.

Sobre a contestação da Taxa Mineral no Supremo Tribunal Federal (STF), o vice-governador lembra que o Estado já derrotou a contestação apresentada no Tribunal de Justiça do Pará (TJE), e ele acredita que acontecerá o mesmo no Supremo. “A União já reconhece a constitucionalidade da Taxa. O próprio procurador geral da República, em seu parecer, também indica que o Pará está correto ao promover a cobrança. Não tenho dúvida de que a validade será estabelecida no STF. As próprias mineradoras sinalizam que é preciso rever as bases da remuneração pela exploração mineral. A redefinição das alíquotas da CFEM já está em discussão no Congresso. A Taxa é outra coisa: é um tributo cuja receita contribui para tornar mais justa essa remuneração”, afirma.

Segundo ele, o Plano Estadual coloca o Pará nas discussões sobre a exploração de seus recursos naturais.

“Isso é um avanço histórico. Nenhuma Unidade Federativa brasileira criou um Plano Estadual de Mineração. Nem mesmo Minas Gerais, que faz mineração há mais de 200 anos. O Brasil está aprendendo com o Pará”, ressalta Helenilson Pontes.

(Governo do Estado do Pará / Secretaria de Estado de Comunicação)

Artigo anteriorA 37ª Expotrês 2014 leiloa mais de 2 mil animais, em Campo Grande
Próximo artigoBrinquedos da Luz (Por: Celdo Braga)

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Correio da Amazônia
Visão Geral de Privacidade

Este site usa cookies para que possamos oferecer a melhor experiência de usuário possível. As informações de cookies são armazenadas em seu navegador e executam funções como reconhecê-lo quando você retorna ao nosso site e ajudar nossa equipe a entender quais seções do site você considera mais interessantes e úteis.