Nada de popular: a moda hoje é ser econômico – por Lucia Camargo Nunes

Kwid Intense 2023 - Foto Renault

Enquanto as montadoras surfam na onda dos SUVs e de modelos de maior rentabilidade, os carros de entrada, que nem podemos mais chamar de “populares”, ficam cada vez mais escassos. Hoje, um zero-km mais acessível está próximo de R$ 60 mil.

Mas na semana passada, os dois carros mais em conta do país apresentaram novidades, tendo no consumo de combustível seu maior apelo. Afinal, o mínimo que se gasta hoje para dizer ao frentista “enche o tanque” são R$ 250. Consumo e autonomia passaram a ser palavras de ordem em tempos de gasolina e etanol caríssimos.

Kwid 2023 – Foto Renault

Kwid: 15,3 km/l com gasolina

A novidade mais recente vem da Renault, com o carro que carrega o selo de mais “barato do Brasil”, o novo Kwid. Além dos novos design e conteúdo, a apresentação do subcompacto foi pontuada pelo motor 1.0 de até 71 cv atualizado: o mesmo 3 cilindros da geração anterior recebeu nova calibração e outros recursos para melhorar o consumo.

Um deles é um sistema de regeneração, chamado de alternador pilotado, que promove economia de 2% no gasto de combustível. Ajudam também no consumo o sistema start-stop (que desliga o carro em paradas de semáforo, por exemplo) e um novo item do carro, que é o monitoramento de pressão dos pneus – detalhe muitas vezes esquecido pelo motorista e que interfere diretamente no consumo.

Kwid Intense 2023 – Foto Renault

De acordo com as medições do Inmetro, na cidade com gasolina, o Kwid faz 15,3 km/l e com etanol, 10,8 km/l. Na estrada, respectivamente, o Renault faz 15,7 (gasolina) e 11 (etanol) km/l.

Por a partir de R$ 59.890, o Kwid na versão Zen já como linha 2023 traz ar-condicionado, direção elétrica, vidros dianteiros e travas elétricas, rádio com USB e Bluetooth, computador de bordo e luzes diurnas em LEDs. Para a segurança, são 4 airbags, controles de tração e estabilidade e assistente de partida em rampa. O porta-malas de 290 litros tem abertura interna e as rodas são de aço com 14”.

(Nota da editora: as imagens do novo Kwid são meramente ilustrativas. Não conseguimos fotos do carro na versão Zen e as que ilustram esta reportagem são da versão intermediária, Intense.)

Mobi Like 2022 – Foto Stellantis

Mobi: 700 km com um tanque

Curiosamente um dia antes do lançamento do Kwid, a Fiat anunciou a chegada do Mobi 2022. Sem o Uno no portfólio, que saiu de linha, a montadora de Betim (MG) precisa reforçar as qualidades de seu modelo de entrada.

A maior novidade do Mobi são as mudanças no motor 1.0 Fire Evo para atender às mais recentes normas de emissões do Proconve L7. Com a nova calibração, o motor passa a render um pouco menos: 74 cv de potência com etanol (era 75) e 71 cv com gasolina (o anterior rendia 73 cv). Houve ainda uma ligeira perda de 0,2 kgfm de torque.

Mobi Like 2022 – Foto Stellantis

Vamos ao consumo: na cidade, com gasolina, faz 13,5 km/l e com etanol, 9,6 km/l (antes era 13 e 8,9 km/l). Na estrada, 15 km/l (gasolina) e 10,4 km/l (etanol) – na versão anterior fazia 14/10 km/l). Pelos cálculos da montadora, o Mobi chega a rodar 700 km com um tanque, que leva 47 litros.

Agora, o subcompacto também deixa de ter o tanquinho de gasolina para partidas a frio, uma boa conveniência. Assim, como no Kwid, a linha 2022 do Mobi traz o monitor da pressão dos pneus.

Mobi Like 2022 – Foto Stellantis

Na versão Like, o Fiat Mobi custa R$ 60.990, com ar, direção hidráulica, vidros e travas elétricas, computador de bordo, pré-disposição para rádio (2 alto-falantes dianteiros) e rodas de aço de 14”.

Conclusão

Nessa comparação, o Renault leva algumas vantagens. Primeiramente pela renovação visual e já vir como versão 2023, o que é favorável em sua revenda. O Kwid também oferece mais itens de segurança e conveniência que o rival da Fiat, como direção elétrica e rádio, porta-malas maior, custa menos e seu consumo é melhor.

O Mobi 2022 teve de baixar sua potência e torque, o que beneficiou o consumo em relação ao antecessor. Já o Kwid 2023 ganhou alguns cavalos e ainda melhorou a marca de consumo.

Mobi Like 2022 – Foto Stellantis

Só que o Fiat, por possuir tanque maior (47 x 38 litros) tem autonomia de até 700 km enquanto o Kwid chega a quase 600 km. O Mobi também facilita a vida do motorista ao dispensar o tanquinho de gasolina (quem se lembra dele?) para as partidas a frio e sua potência, um pouco maior, pode fazer a diferença quando se usa o ar-condicionado.

Lucia Camargo Nunes é economista e jornalista especializada no setor automotivo. E-mail: lucia@viadigital.com.br

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