O aliado Arthur Lira ‘não pula na cova’ junto com Bolsonaro, diz deputado do PP

O presidente da Câmara, hora aliado, pode pular do barco quando ele afundar - foto: arquivo/recorte

Após um começo de governo em que se recusou a negociar cargos em troca de apoio político, Bolsonaro iniciou uma relação com partidos do Centrão há cerca de um ano, depois da prisão de Fabrício Queiroz, acusado de ser o operador de um esquema de rachadinha (desvio de recursos) do antigo gabinete de deputado estadual de um de seus filhos, o hoje senador Flávio Bolsonaro (Patriota-RJ).

A aproximação visou sua proteção contra um processo de impeachment e a construção de uma base que permitisse aprovar propostas de interesse do governo no Congresso.

A partir da distribuição de cargos na máquina federal entre indicados de parlamentares e do aumento da liberação de verbas para redutos eleitorais de congressistas aliados, a situação de Bolsonaro ficou mais confortável no Parlamento, processo que culminou com a eleição de Arthur Lira (PP-AL) para presidir a Câmara.

A vitória do aliado foi crucial para Bolsonaro porque é Lira que tem o poder de iniciar ou barrar a abertura de processos de impeachment na Câmara.

“Aqui seguimos a pauta do Brasil, das reformas e dos avanços. Respeito a manifestação democrática da minoria. Mas um processo de impedimento exige mais que palavras. Exige materialidade”, afirmou ao portal G1 o presidente da Câmara, após a entrega do “superpedido” de impeachment.

Embora a aliança entre Lira e Bolsonaro ainda pareça sólida, nos bastidores do Congresso entende-se que ela pode se quebrar se a conjuntura seguir se agravando.

Embora essa aliança ainda pareça sólida, nos bastidores do Congresso entende-se que ela pode se quebrar se a conjuntura contra Bolsonaro seguir se agravando.

“Se chegar a uma situação insustentável, ele (Arthur Lira) vai até a cova, mas não vai pular na cova com Bolsonaro”, disse à BBC News Brasil um deputado do PP, que pediu para ter seu nome preservado.

O analista político Antônio Augusto de Queiroz, do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap), também considera que o apoio do Centrão pode ser abalado caso a crise se degringole.

Ele ressalta que o escândalo das vacinas criou fissuras dentro do grupo, tendo de um lado um antigo apoiador de Bolsonaro como denunciante, o deputado Luís Miranda (DEM-DF), e de outro o líder do governo, deputado Ricardo Barros (PP-AL), apontado como protagonista no suposto esquema – o que ele nega.

O resultado prático, por enquanto, é que o Centrão deve “aumentar o preço” de manter o mandato de Bolsonaro protegido, acredita Queiroz.

“O Centrão vai sugar (vantagens em troca de apoio ao governo) até onde não comprometer a sobrevivência política dele. Vai ficar aliado, mas aumenta o preço”, afirma.

BBC News

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