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O debate na Band Amazonas e a democracia – por Carlos Santiago

Carlos Santiago é Sociólogo, Analista Político e Advogado

Não sou de criticar nem de exaltar quem não comparece aos debates eleitorais. Prefiro enaltecer aqueles que participam desse importante instrumento das democracias. O debate é fundamental para o fortalecimento do regime democrático, pois constitui um espaço de exposição de ideias, propostas e projetos dos futuros administradores públicos diante do eleitorado. É também uma oportunidade para apresentar soluções para os problemas sociais e ambientais, conquistar e fidelizar votos e, sobretudo, estimular a participação dos eleitores no processo de escolha dos governantes e representantes.

O debate televisivo no Brasil é uma conquista popular fortalecida após o fim da Ditadura Militar. No início da década de 80, milhões de brasileiros foram às ruas reivindicar eleições diretas para presidente e governadores dos estados, depois de anos de repressão política e de negação ao povo do direito de escolher livremente seus governantes. A mobilização também representava o desejo de participação popular na vida pública e nos debates sobre os melhores caminhos para alcançar o desenvolvimento econômico e a justiça social.


Seguindo uma tradição de décadas, a Rede Bandeirantes tornou-se também uma casa da democracia. Em todas as eleições, destaca-se pela realização de debates com formatos inovadores e pela abordagem de temas relevantes para a vida da população, especialmente daqueles que mais dependem da presença do Estado nas áreas sensíveis da administração pública, como educação, saúde, setor primário, segurança pública, combate à corrupção e geração de emprego, entre outras.

No último domingo, quatro dos postulantes ao cargo de governador do Amazonas se encontraram no estúdio da TV Band Amazonas para expor ideias, apresentar propostas e discutir soluções para alguns dos graves problemas enfrentados pelo Estado. Dentro das atuais regras eleitorais, cinco nomes haviam sido convidados para participar do encontro e disputar a preferência do eleitorado para administrar o Amazonas nos próximos quatro anos. Somente o atual governador e candidato à reeleição não compareceu.

Os candidatos Isael Munduruku (Federação Rede-PSOL), David Almeida (Avante), Omar Aziz (PSD) e a candidata do Partido Liberal, Maria do Carmo Seffair, estiveram presentes. O debate foi produtivo. Cada participante procurou defender seu legado político, apresentar propostas e indicar caminhos para melhorar os preocupantes indicadores sociais e de governança pública do Amazonas.

A candidatura da Rede-PSOL destacou a defesa dos povos indígenas, apresentou sua visão sobre os caminhos para as políticas públicas no Estado e estabeleceu uma contraposição à família Bolsonaro, que apoia a candidata Maria do Carmo. Também questionou a experiência política e administrativa de Omar Aziz.

David Almeida apresentou os indicadores educacionais e de saúde alcançados durante sua passagem pela Prefeitura de Manaus e defendeu a possibilidade de levar essa experiência para a administração estadual. Também não deixou de polemizar com Maria do Carmo quando o debate passou pela gestão pública e pelas realizações da candidata no setor privado.

Omar Aziz, por sua vez, apresentou realizações de seus governos e apontou, com números, os caminhos para a concretização de suas propostas. Também aproveitou o espaço para denunciar o que considera falta de compromisso do candidato Roberto Cidade com o eleitorado, em razão de sua ausência no debate.

A professora Maria do Carmo reforçou sua imagem de boa gestora no setor privado e apresentou-se como alguém disposta a promover mudanças na administração estadual. Destacou o apoio recebido da família Bolsonaro e protagonizou momentos de maior confronto com David Almeida, questionando a capacidade de gestão do seu opositor.

Quem participou do debate ganhou a oportunidade de apresentar suas ideias e defender seu legado. Quem acompanhou o encontro também ganhou informações importantes para começar a definir sua preferência eleitoral. Já quem não compareceu deixou eleitores frustrados e perdeu uma importante oportunidade de defender sua trajetória, apresentar suas propostas e confrontar os argumentos de seus adversários.

Mais importante do que a repercussão do evento na sociedade e na mídia é a constatação de que existe um veículo de comunicação disposto a abrir suas portas para oferecer ao eleitorado um espaço de diálogo, troca de ideias, apresentação de propostas e discussão de soluções para os problemas do Amazonas. Uma iniciativa que também contribui para o fortalecimento da democracia e para um processo de escolha mais consciente dos governantes do país.

Realizar um debate envolve custos físicos, financeiros e emocionais, além do trabalho de dezenas de profissionais que se dedicam à organização, à produção e à transmissão do evento. Ainda assim, a consolidação dos valores democráticos justifica todo esse esforço. A Band Amazonas está de parabéns pelo debate.

Carlos Santiago é Sociólogo, Cientista Político, Filósofo e Advogado.

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