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O ‘Filho do Vento’ Euler acompanha filha na disputa do Brasileiro de Ginástica

Foto: Mauro Neto/Sejel

Desde 2011 o futebol deixou de ver um dos atacantes mais velozes em que os verdes gramados já viram passar. Com as camisas do Atlético-MG, Palmeiras, Vasco e até da Seleção Brasileira, o ex-atacante Euler encantou e deixou seu nome e o apelido – não dado à toa – de “filho do vento” marcado em uma grande geração de torcedores.

Depois da aposentadoria, o dono de uma velocidade incomum passou a se dedicar mais para a família e hoje os motivos das viagens para as várias cidades do país não são mais por conta da bola, e sim por causa da filha Eduarda Carvalho, de 15 anos, que brilha representando o estado de Minas Gerais como ginasta.


Foto: Mauro Neto/Sejel

Desde a última quinta-feira (17), o eterno ídolo do futebol está em Manaus acompanhado a filha que já faturou a medalha de ouro no geral e por equipes no Campeonato Brasileiro Caixa de Ginástica Rítmica para as categorias Pré-Infantil e Juvenil. O evento é realizado no Centro de Ginástica do Amazonas, que fica nas dependências da Vila Olímpica de Manaus, no Dom Pedro, e segue até domingo (20), recebendo apoio do Governo do Amazonas, via Secretaria de Estado de Juventude, Esporte e Lazer (Sejel).

“Ela vem se destacando e é o sonho dela conseguir índice para as Olimpíadas de Tóquio. E desde que me aposentei em 2011 passei a me dedicar para a minha família e nisso a Eduarda passou a entrar na ginástica aos seis anos por influência da Daniela Leite (ex-ginásta mineira) e decidimos colocar ela na ginástica”, contou Euler, hoje aos 46 anos, que ao lado de esposa Letícia Braga vibra a cada apresentação da filha.

“Nós ficamos aqui numa loucura. A tensão só termina quando ela finaliza a apresentação. Ela é uma menina muito dedicada e domina bem a fita, o arco, bola, corda e maça. Ela se dedica muito para isso desde os seis anos”, comentou o pai coruja, lembrando os admiradores e fãs que o acompanhavam da arquibancada.

Foto: Mauro Neto/Sejel

A base

Sem ter a vida dedicada ao esporte, Letícia aprendeu desde cedo a cuidar de um esposo-atleta. Entre as tantas dificuldades e vitórias, hoje a dona de casa passa a experiência e motivação, agora ao lado do marido, para a filha-atleta. O resumo de tudo isso: uma família feliz e unida pelo laços do amor e do esporte.

“É muito interessante. Acompanhei o Euler durante 20 anos no futebol e sempre com um sofrimento, porém com o filho o sofrimento é dobrado. Ficamos muito aflitos, às vezes podemos acompanhar, às vezes não, mas é muito legal. Dentro de casa podemos ver que tudo o que ele viveu no futebol faz diferença e ajuda tanto na vida da minha filha, quanto do meu filho que está tentando o futebol, é uma experiência de vida real. E eu apesar de não ser atleta acabo aprendendo muito”, revelou a supermãe.

Promessa do esporte

Rodeada de carinho e amor dos pais, Eduarda vem somando títulos nacionais e internacionais nas categorias infantil e juvenil. Os ótimos resultados colocam a jovem como uma das promessas da ginástica brasileira.

“Já consegui ser campeã no Sul-Americano, Pan-Americano e agora vou me preparar para o Pan-Americano juvenil. Ter o meu pai e minha mãe é muito bom. Por conhecer e ser atleta, ele tem uma cabeça diferente. As palavras que saem da boca dele são diferentes. Tudo o que ele conta pra mim e para as minhas colegas de clube é muito diferente. São grandes experiências que ele possui e isso motiva”, frisou a ginasta de 1,75.

Sem esquecer do futebol

O longo período afastado do futebol profissional não fez o ex-jogador esquecer as origens. Além de manter a escolinha Filho do Vento em Belo Horizonte com mais de 700 crianças e jovens, Euller estuda para se tornar treinador de futebol.

“Paralelo a minha família, estou me preparando para ser técnico de futebol. Já concluí minha licença B e A, já cumpri meu estágios com o Felipão, Ederson no América-MG, no Espanyol em Barcelona e estou me preparando para fazer estágios com o Cuca e o Luxemburgo para estar apto”, contou.

Quando o assunto é o futebol amazonense e a Arena da Amazônia, o ex-jogador que nunca jogou em Manaus, mas esteve pescando nos rios próximos à Itacoatiara, espera dias melhores para o futebol.

“Com essa gestão (da Confederação Brasileira de Futebol – CBF) o forte vai ficar mais forte e o fraco cada vez mais fraco. Não dá mais para aguentar, está triste, o futebol está chato. Hoje em dia o banco de reservas não pode mais comemorar o gol. A emoção maior do futebol é o gol. Muitos ali já não jogam e não podem comemorar o gol. Quem fez essa regra com certeza não sabe o que é fazer um gol. O futebol está triste, não está legal. Talvez com uma nova gestão eu acredito que o futebol possa mudar, para não ficar pior”, desabafou.

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