O Valor da Coragem – por Isabela Abes Casaca


Brasão da Coragem (Chaute Paws)
Brasão da Coragem (Chaute Paws)

Coragem…

Sua raiz etimológica vem do latim: Coraticum, que é a união de duas palavras, “cor” (que tem como significado ‘coração’) e “atĭcum” (que é utilizada para indicar a ação da palavra que a precede).

Assim, pela própria etimologia, podemos verificar que esta é uma virtude nascente do coração. Muito diferente do que o senso comum compreende a coragem não é um mero impulso das paixões, e está longe de ser sinônimo de bravura ou temeridade, Napoleão Bonaparte foi um dos que isto percebeu: “A bravura provém do sangue, a coragem provém do pensamento“.

Mostrando que, além de ter ligação com o coração, a coragem tem igual conexão com o conhecimento, fato que recentemente foi demonstrando por um estudo científico. O neurocientista e psicólogo Julio Peres realizou um estudo onde mapeou o cérebro de voluntários que buscavam realizar atitudes corajosas e de superação, descobrindo assim que a principal área estimulada é o córtex pré-frontal, a região ligada ao intelecto e ao planejamento de ações.

Bem diferente da bravura e da temeridade, ambas relacionadas ao impulso e a imprudência…

Um detalhe importante a respeito desta virtude cardíaca é que ela se revela como o sustento para os demais valores e virtudes de um ser humano, na antiga Grécia o filósofo Aristóteles enunciou este fato: “A coragem se mostra como a base para o desenvolvimento das demais virtudes“.

Mesmo quando a tendencia é impaciência, com coragem podemos ser um pouco mais pacientes. Mesmo quando a tendencia é a desonestidade, com coragem nós podemos ser um pouco mais honestos. Mesmo quando a tendencia é a infidelidade, com coragem nós podemos ser um pouco mais fiéis. Mesmo quando a tendencia é o descompromisso, com coragem nós podemos ser um pouco mais compromissados. Mesmo quando a tendencia é o egoísmo, com coragem nós podemos ser um pouco mais altruístas. Mesmo quando a tendencia é a indiferença, com coragem nós podemos ser um pouco mais solidários.

Mesmo quando a tendencia é o individualismo, com coragem nós podemos ser um pouco mais companheiros. Mesmo quando a tendencia é a desistência, com coragem nós podemos ser um pouco mais perseverantes. Mesmo quando a tendencia é guerra, com coragem nós podemos ser um pouco mais pacíficos. Mesmo quando a tendencia é o orgulho, com coragem nós podemos ser um pouco mais humildes. Mesmo quando a zona de conforto parece mais indicada, com coragem podemos conhecer algo novo.

Mesmo quando a tendencia é a desunião, com coragem podemos criar disposição para nos unirmos. Mesmo quando a maioria quer apenas seguir o fluxo da tendencia dominante, com coragem nós podemos desenvolver pensamento próprio. Mesmo quando a imoralidade é mais comoda, com coragem nós podemos começar a desenvolver nossa força moral. Mesmo quando a alienação é mais comoda, com coragem nós podemos optar por nos conhecermos melhor.

(E caso isto tudo dito anteriormente pareça muito utópico, distante, intangível, bem… Podemos começar pequeno, buscando coragem para mudarmos hábitos nossos que sabemos que não são benéficos. Sendo bem prática, um hábito alimentar, por exemplo. Nas pequenas atitudes do cotidiano esta virtude irá revelando-se.)

Enfim, a coragem é uma virtude que todos nós devemos desenvolver se quisermos caminhar em direção ao progresso pessoal, é como se fosse o primeiro passo de uma importante jornada. E como desenvolver este valor tão singelo e tão nobre? Como a coragem vem do coração a resposta está nele, o desenvolvimento da coragem está intimamente ligado com o auto-conhecimento que temos a respeito do nosso coração.

Todos nós, inclusive eu, devemos perder o medo de nos conhecermos como somos e nos reconhecermos como imperfeitos, voltando os olhos para o nosso coração e procurando aprimorá-lo.

Tirinha de Caetano Cury
Tirinha de Caetano Cury

O caminho para quem se propõem fazer isto é longo, exige de nós dedicação e esforço, apenas com coragem seremos capaz de faze-lo… No silencio e no resguardo do nosso mais profundo eu, embarca na dangerosíssima viagem proposta por Carlos Drummond de Andrade, no poema O Homem e as Viagens:

A dificílima dangerosíssima viagem de si a si mesmo: Pôr o pé no chão do seu coração, experimentar, colonizar. civilizar, humanizar o homem, descobrindo em suas próprias inexploradas entranhas a perene, insuspeitada alegria de con-viver.

[author image=”http://oi59.tinypic.com/md2p28.jpg” ]Isabela Abes Casaca é graduanda em Direito e integrante do movimento Novo Ágora. Considera-se escritora amadora.[/author]

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui