Outubro Rosa: alerta sobre as interações medicamentosas no câncer de mama

Foto: Freepik

O câncer de mama é o mais incidente em mulheres no Brasil, após o câncer de pele não melanoma. Em 2023, estima-se que ocorrerão 73.610 casos novos da doença no país, o que representa uma taxa ajustada de incidência de 41,89 casos por 100.000 mulheres. O Amazonas tem uma estimativa de 28,34 casos de câncer de mama a cada 100 mil pessoas para este ano, segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca).


O tratamento do câncer de mama depende do estágio e das características biológicas do tumor, podendo envolver cirurgia, radioterapia, quimioterapia, hormonioterapia e terapia-alvo. Ocorre que muitas mulheres com a doença também sofrem de outras condições de saúde que exigem o uso de medicamentos, e é fundamental compreender quando o uso de determinados fármacos pode afetar a eficácia do tratamento oncológico.

Nesse contexto, no mês dedicado à conscientização sobre o câncer de mama, a campanha Outubro Rosa não apenas destaca a importância da prevenção e do diagnóstico precoce, mas também lança luz sobre um aspecto crucial do tratamento: as interações medicamentosas.

É nesse cenário que os farmacêuticos das drogarias desempenham um papel vital. Esses profissionais, altamente treinados, são uma fonte valiosa de informações sobre medicamentos. “Quando uma paciente com câncer de mama recebe uma nova prescrição, o farmacêutico pode fornecer orientações sobre como tomar o medicamento, possíveis efeitos colaterais e, o mais importante, alertar sobre possíveis interações com outros fármacos”, explica a supervisora farmacêutica da rede Santo Remédio, Maria Eliza Pinheiro.

O que são interações medicamentosas

As interações medicamentosas ocorrem quando dois ou mais medicamentos interagem de forma a alterar a maneira como um deles age no corpo. Isso pode resultar em efeitos colaterais indesejados, diminuição da eficácia do tratamento ou até mesmo riscos graves para a saúde. Em pacientes com câncer de mama, onde a precisão e a eficácia do tratamento são fundamentais, evitar interações medicamentosas é de suma importância.

Um exemplo comum de interação medicamentosa que as pacientes com câncer de mama podem enfrentar envolve os inibidores de aromatase, uma classe de medicamentos frequentemente usada para tratar cânceres de mama hormônio-positivos. Esses medicamentos podem interagir com outros fármacos, como alguns antidepressivos, antifúngicos e medicamentos para pressão arterial, afetando sua eficácia.

“O tamoxifeno, um dos principais medicamentos usados na hormonioterapia do câncer de mama, pode ter sua ação reduzida ou anulada por alguns antidepressivos, como a fluoxetina e a paroxetina, que inibem uma enzima responsável pela ativação do tamoxifeno no organismo”, informa a especialista.

Ela também ressalta que a ciclofosfamida, outro quimioterápico comum no câncer de mama, pode ter sua eficácia diminuída por medicamentos que aumentam a atividade de uma enzima chamada CYP2B6, como a rifampicina (usada no tratamento da tuberculose), a fenitoína (usada no tratamento da epilepsia) e o efavirenz (usado no tratamento da AIDS). Além disso, a ciclofosfamida pode interagir com o álcool, aumentando o risco de sangramento e infecção.

Medicação de forma segura

Ao recorrer aos farmacêuticos das drogarias, as pacientes podem ter a tranquilidade de que estão tomando seus medicamentos de forma segura e eficaz. É essencial que as pacientes informem todos os medicamentos que estão usando, incluindo suplementos e produtos de venda livre, para que o farmacêutico possa fazer avaliações completas de possíveis interações.

Além disso, as pacientes devem manter uma comunicação aberta com seus médicos. Se surgirem dúvidas ou preocupações sobre a medicação, é fundamental discuti-las com o profissional de saúde responsável pelo tratamento do câncer de mama. O trabalho em equipe entre médicos e farmacêuticos é essencial para garantir a segurança e a eficácia do tratamento.

Portanto, neste Outubro Rosa, mês dedicado à conscientização e prevenção do câncer de mama, vale ressaltar que o cuidado com a saúde não se resume ao diagnóstico precoce e ao tratamento adequado da doença. É preciso também estar atenta aos fatores que podem interferir na eficácia e na segurança do tratamento, como as interações medicamentosas, e contar com o apoio de profissionais qualificados, como os farmacêuticos, para garantir o melhor resultado possível.

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