Pesquisa aponta que nutrição especializada contribui para recuperação de Covid-19 

Foto: Reprodução

São Paulo – Um estudo inédito feito no Brasil mostra como pacientes com COVID-19 internados podem apresentar quadros de desnutrição, impactando na ingestão de proteínas e calorias, e revela como a nutrição especializada contribui para a recuperação desses pacientes. A pesquisa foi realizada no Hospital Sírio-Libanês, na capital paulista, e no Hospital de Caridade São Vicente de Paula, em Jundiaí (SP) e foi apresentada no congresso da Sociedade Europeia de Nutrição e Metabolismo (ESPEN) em setembro deste ano.

Liderada pelo Dr. Dan Waitzberg, professor da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo e um dos maiores especialistas em terapia nutricional do Brasil, e pelo Dr. Paulo Cesar Ribeiro, chefe da comissão de terapia nutricional do Hospital Sírio-Libanês. O ESPEN é um dos eventos científicos mais importantes do mundo.

Segundo os autores, o objetivo foi compreender como as manifestações gastrointestinais e sensoriais (MGSs), como diarreia, constipação, náuseas, anorexia, dor abdominal, paladar alterado e perda de olfato, podem afetar a nutrição de pacientes com COVID-19 internados.

O estudo mostrou que os pacientes com MGSs dificilmente atingiam pelo menos 60% das suas necessidades energético-proteicas, favorecendo o surgimento da desnutrição. “Atualmente, sabemos que COVID-19 pode prejudicar também o sistema digestivo, muscular e imunológico, entre outros. Em nossa pesquisa, os pacientes ingeriram suplemento hipercalórico (2,4kcal por ml), hiperprotéico (24% valor calórico total), normolipídico (35,3% valor calórico total), Nutridrink® Compact Protein (SNO). Isso ajudou os pacientes a alcançarem as suas necessidades energético-proteicas.”, explica Waitzberg. A quantidade calórica e proteica segue as orientações da ESPEN.

Assim, a pesquisa brasileira analisou se a ingestão de 600 kcal mais 35g de proteína diariamente poderia diminuir o risco nutricional causado pela COVID-19. “Segundo os dados, os pacientes que receberam SNO tiveram suas necessidades energético-proteicas atendidas em 95,7% do tempo. Em comparação, apenas 69,6% dos pacientes que receberam a dieta padrão alcançaram mais de 60% das necessidades energético-proteicas.

“O estudo mostra que a nutrição especializada tem um papel muito importante na recuperação do paciente com COVID-19, oferecendo um tratamento mais preciso e eficaz para o paciente e otimizando um sistema de saúde que ainda está sobrecarregado”, comenta Waitzberg.

Outro estudo, publicado na Rússia em julho de 2021 na revista Clinical nutrition and metabolismo, também traz evidências de como a nutrição especializada contribui para que pacientes com COVID-19 na UTI tenham menos tempo de internação e de suporte respiratório. A pesquisa, liderada por membros da Sociedade Nacional Russa de Nutrição Parenteral e Enteral (RSPEN) e da Pirogov Russian National Research Medical University também revelou que o suplemento Nutridrink® contribuiu para a recuperação de força muscular e melhor pontuação no aspecto físico de qualidade de vida dos pacientes.

O novo corpo de evidência demonstra que a desnutrição é altamente prevalente entre pacientes hospitalizados com COVID-19 e que o uso de Nutridrink® permite que esses pacientes atinjam suas necessidades energéticas-proteicas ainda durante o período intra-hospitalar. Isso contribui para melhora da força muscular, qualidade de vida após alta e reduz em 3,31 dias o tempo de internação e 1,4 dia o suporte respiratório do paciente.

Projeto NutriCOVer

As pesquisas fazem parte de um programa global chamado NutriCOVer, realizado pela Danone Nutricia – divisão de nutrição especializada da Danone, e que tem como objetivo incentivar pesquisas independentes e colaborações para impulsionar coletivamente a discussão do impacto nutricional da COVID-19 e o uso de terapia nutricional especializada durante a recuperação da doença.

Os estudos são liderados pelos principais especialistas e sociedades médicas de forma independente. Márcia Schöntag, Diretora de Assuntos Médicos e Acesso ao Mercado da Danone explica como funciona o programa. “O NutriCOVer forneceu financiamento para pesquisas a fim de apoiar o avanço da ciência e fomentar o conhecimento sobre o papel da Nutrição no manejo da COVID-19. Assim, os estudos foram iniciados e conduzidos por pesquisadores experientes de forma independente em vários países”.

Ao todo, 16 países em todo o mundo fazem parte do programa NutriCOVer. Quatro estudos, feitos na Espanha, na França, na Rússia e no Brasil, foram publicados ou estão em vias de publicações nos principais periódicos do mundo.

O contexto da Nutrição Especializada no Brasil

Atualmente, a Política Nacional de Alimentação e Nutrição (PNAN), estabelecida pelo Ministério da Saúde, tem o objetivo de melhorar as condições de alimentação, nutrição e saúde da população brasileira por meio da promoção de práticas alimentares adequadas e saudáveis, a vigilância alimentar e nutricional, a prevenção e o cuidado integral dos agravos relacionados à alimentação e nutrição.

Entretanto, o documento não engloba a nutrição especializada – um importante eixo para o tratamento da desnutrição hospitalar e relacionada a outras condições clínicas. Também não foram estabelecidas pelo Ministério da Saúde diretrizes nutricionais para pacientes com Covid-19, o que dificulta a padronização de orientações aos profissionais da saúde, aumentando o risco de desnutrição nesses pacientes e podendo impactar na recuperação da doença.

“A Política Nacional de Alimentação e Nutrição foi um grande avanço do Ministério da Saúde, pois traz imprescindíveis diretrizes para a atenção primária. No entanto, há um gargalo estrutural que é a ausência de diretrizes sobre a nutrição especializada, que constitui um importante eixo para o tratamento da desnutrição hospitalar e relacionada a outras condições clínicas que tem impactado a recuperação de pacientes, por exemplo, com Covid-19”, ressalta Márcia Schöntag, Diretora de Assuntos Médicos e Acesso ao Mercado da Danone.

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