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Porto de La Guaira é transformado em necrotério improvisado na Venezuela

Foto: Recorte

O porto de La Guaira, uma das áreas mais atingidas pelos fortes terremotos que devastaram a Venezuela na última semana, foi adaptado para funcionar como um necrotério temporário diante do aumento no número de vítimas. O local passou a receber os corpos resgatados dos escombros de prédios que desabaram após os tremores.

Na estrutura improvisada, médicos legistas e equipes forenses trabalham para identificar as vítimas e liberar os corpos às famílias. Sacos mortuários e caixões ocupam parte da área do porto, enquanto parentes enfrentam horas de espera na tentativa de reconhecer seus familiares desaparecidos.


Os terremotos, registrados na quarta-feira, tiveram magnitudes de 7,2 e 7,5 e provocaram destruição em diversas regiões do estado de La Guaira, vizinho à capital Caracas. A proximidade com a capital faz do porto um dos principais centros logísticos do país, mas agora o espaço se tornou símbolo da tragédia humanitária.

Segundo o balanço mais recente divulgado pelas autoridades, ao menos 1.719 pessoas morreram, número que continua aumentando à medida que novas vítimas são encontradas sob os escombros. Com a superlotação dos hospitais e necrotérios da região, o governo precisou improvisar a estrutura no porto para dar continuidade aos trabalhos de identificação e liberação dos corpos.

Entre os familiares que aguardam notícias está Wilker Molalla, de 25 anos. Ele afirma que perdeu grande parte da família no desastre e espera conseguir identificar a irmã, os sobrinhos e outros parentes desaparecidos. Dos 11 familiares que moravam na mesma residência, apenas ele e um irmão sobreviveram por estarem trabalhando no momento dos tremores.

A demora no atendimento tem gerado críticas entre os parentes das vítimas, que reclamam da falta de profissionais para atender à demanda. Muitos afirmam que as buscas por desaparecidos continuam sendo realizadas principalmente por voluntários e familiares, com apoio limitado das equipes oficiais.

Histórias marcadas pela dor se repetem diariamente no local. O cozinheiro Antony Marcano contou que passou dois dias procurando pela filha até conseguir reconhecê-la por um anel que havia lhe dado. O relato emocionou outras famílias que aguardavam na fila para identificar seus entes queridos.

Além da identificação das vítimas, o porto concentra a emissão de certidões de óbito, autorizações para cremação e a coleta de material para exames periciais, enquanto a Venezuela enfrenta uma das maiores tragédias naturais de sua história recente.

Fonte: G1 e AFP

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