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Prefeitura de Manaus leva autoestima para mães de crianças com deficiência

Fotos - Altemar Alcântara / Semcom
Redação I
Escrito por Redação I

Mães de crianças com deficiência, muitas vezes, deixam de viver as próprias vidas para se dedicar integralmente aos filhos. Com o objetivo de ajudar essas mulheres a recuperarem a autoestima, a Prefeitura de Manaus criou o projeto “Mães Especiais”. Em sua segunda edição, a proposta da Secretaria Municipal de Educação (Semed) atende aproximadamente cem mães, duas vezes por semana, com atividades físicas e rodas de conversa, coordenadas pelos Jogos Adaptados André Vidal de Araújo (Jaavas), em parceria com a Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae Manaus).
Participantes do projeto, as mamães vivenciam a troca de experiências, contando sobre a luta diária contra o preconceito. É o caso de Patrícia Alves, 33, mãe de Osvaldo Alves, 12, que tem a síndrome de Asperger, considerada uma forma mais branda do autismo. Ela contou que o diagnóstico só foi confirmado quando ele tinha cinco anos.

“Foi muito difícil, eu não sabia lidar com a síndrome, mas busquei orientação médica e psicológica. Precisava aprender as coisas do jeito dele, porque ele tem uma forma diferente de aprender. A sociedade pensa que são crianças agressivas, mas não é isso. Por meio da educação, elas conseguem se adaptar muito bem. Meu filho é a prova disso”, comentou Patrícia.

Fotos – Altemar Alcântara / Semcom

A mãe também lembrou que passou a viver 100% para o filho e que teve que renunciar aos estudos e ao trabalho. Rotina que se tornou diferente desde que ela passou a fazer parte do “Mães Especiais”.

“Essa atividade, para mim, foi um impulso para viver de forma mais saudável, aumentar minha autoestima, me cuidar. Eu me anulava muito, vivia 100% para o meu filho, não me cuidava, tudo era para ele. Agora, com esse projeto, as coisas mudaram. Ao mesmo tempo em que ele se cuida, se exercita, eu também estou me cuidando e buscando a qualidade de vida junto com ele”, completou a mãe de Osvaldo.

Jeane de Oliveira, 33, é outra integrante do projeto da prefeitura. Mãe de Murilo, 5, ela mencionou que teve uma gravidez tranquila e que a chegada do menino foi muito esperada e comemorada por todos. Quando a criança completou um ano, a avó materna percebeu que ele era muito agitado e tinha dificuldade para falar. Após algumas consultas com especialistas, a família recebeu a informação de que ele tinha Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH).

Fotos – Altemar Alcântara / Semcom

“Fiquei impactada, meu filho foi planejado. Tem sido um processo bem difícil. Devido a agitação, ele toma medicação diária. Meu marido não aceita, diz que ele é normal. E ele é normal, só tem algumas diferenças que o tornam especial”, contou Jeane. “Desde que comecei a frequentar o projeto, consigo ter um tempo só para mim, sem ser egoísta, mas, por alguns minutos, penso somente em mim. E ainda recebo orientação adequada, que faz com que eu possa ajudar cada vez mais o meu filho”, finalizou.

Já para Lidiane Michelle Furtado, de 38 anos, mãe de Maria Vitória, 4, que possui síndrome de Down, o tratamento disponibilizado para filha em Manaus fez com que ela se mudasse de Belém (PA) para a capital amazonense. “Em Manaus, não me sinto tão excluída, minha filha estuda, tenho a ajuda da minha mãe e, agora, também tem o ‘Mães Especiais’ que me deu a oportunidade de ser ouvida, porque todas as mães enfrentam as mesmas dificuldades”, afirmou.

Sobre o projeto

A Prefeitura de Manaus criou o “Mães Especiais” em 2018, com o objetivo de fazer com que as participantes cuidassem mais da própria saúde, por meio de atividades físicas. “Nosso objetivo é fazer com que as mães se libertem das amarras, que é a falta de inclusão em alguns lugares”, explicou a coordenadora do Jaavas da Semed e responsável pelas atividades do projeto, Shirley Amaral. “Enquanto os filhos faziam as atividades oferecidas pelos Jogos Adaptados, as mães ficavam sentadas, ou seja, vivendo a vida dos filhos. Hoje é diferente. Elas fazem dieta, usam maquiagem, brincam. A prefeitura acreditou no nosso projeto e fez com que ele crescesse, isso foi importante”, concluiu a coordenadora.

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