Professor indígena une cultura e tradição, em escola estadual de Manaus

Professor Orlando - Foto: Eduardo Cavalcante/Seduc-AM

“A educação escolar indígena fortalece a comunidade, fortalece as tradições e favorece, também, a luta em defesa dos territórios e a garantia de vida para os nossos parentes”. Assim o professor Orlando Melgueiro da Silva, de 60 anos, do povo Baré, vê a Educação Escolar Indígena. Ele, que há 30 anos se dedica ao ofício de ensinar Geografia, pela Secretaria de Estado de Educação e Desporto, procura unir os conhecimentos acadêmicos aos tradicionais para levar aos estudantes indígenas e não indígenas o sentimento de pertencimento.

Graduado e pós-graduado em Geografia, Orlando Baré – como é conhecido – trabalha há 20 anos, especificamente, com a Educação Escolar Indígena e também é membro do Conselho Estadual de Educação Indígena. Já exerceu a função de professor em comunidades e, atualmente, leciona na Escola Estadual Júlia Bittencourt, na zona oeste de Manaus.

“Considerando que Manaus é uma cidade onde existem muitas ilhas territoriais na capital de diferentes povos, os povos que se reúnem se sentem unidos pela cultura, história, tradição e língua, então, eu, de vez em quando, percorro esses lugares. O maior desafio para os professores ou para a educação escolar indígena é a formação de professores, nós temos muitos professores que se graduaram e estão pós-graduando nas ciências que não têm muito a ver com a Educação Indígena”,  observa Baré.

Na escola onde atua, todos os estudantes são não indígenas, então, ele vê que sua vivência de professor com as comunidades indígenas e com os indígenas não aldeados é um fator que dá outro ponto de vista nas abordagens e também de valorização da própria história do Amazonas.

O docente atua há mais de 30 anos na educação, sendo 20 na Educação Indígena – Foto: Eduardo Cavalcante/Seduc-AM

Para ele, os povos indígenas tiveram conquistas na educação, como a manutenção das línguas maternas, assegurada na Lei de Diretrizes e Bases (LDB), entretanto, ainda há muito a ser conquistado e muito o que pôr em prática.

“Se eu estudei a Geografia, necessariamente terei de trabalhar na etnogeografia, por exemplo, mas para trabalhar a etnogeografia são necessárias metodologias específicas e pedagógicas para trabalhar com as comunidades indígenas. Então, o maior desafio no momento é a preparação, a formação de professores na área de educação indígena. A mensagem que eu daria para os nossos parentes é a de que educação escolar indígena fortalece”, finaliza Orlando Baré.

Educação Escolar Indígena – Segundo dados da Fundação Nacional do Índio (Funai) vivem hoje no Brasil pouco mais de 380 mil indígenas, sendo que 31% dessa população se encontra no Amazonas. São, pelo menos, 120 mil índios de 72 povos localizados nos 62 municípios do Estado e, desde 1991, o serviço de educação para esses povos é responsabilidade do Ministério da Educação (MEC) e dos estados brasileiros.

Até 2005, a grande parte das escolas em todo o país não trabalhava com os princípios da educação escolar indígena específica e diferenciada. No Amazonas, a Secretaria de Estado e Educação e Desporto vem implementando esta política com sucesso, com ensino nas comunidades de forma presencial e no Ensino Mediado por Tecnologia, além dos incentivos à formação específica dos professores.

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